Uma investigação da Polícia Federal (PF) enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que o perito criminal João Cláudio Nabas utilizou dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro para produzir dois arquivos digitais focados em magistrados da Corte. Os documentos, intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”, compilavam menções e diálogos relacionados aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
As informações foram encaminhadas ao ministro André Mendonça, relator do inquérito que apura o vazamento de dados sigilosos da Operação Compliance Zero — investigação financeira para a qual Nabas havia sido convocado. Com base nos indícios de violação de sigilo funcional, o perito foi alvo de uma operação de busca e apreensão em maio e acabou afastado de suas funções públicas.
Desvio de escopo e sugestão de vazamento
De acordo com os registros de auditoria do sistema interno da PF, Nabas acessou o material extraído do telefone de Vorcaro no dia 1º de dezembro e gerou os relatórios três dias depois. A corporação sustentou no inquérito que o servidor agiu sem ordem ou consentimento das autoridades que conduziam o caso, direcionando seus esforços para buscar supostos elementos desabonadores contra os membros do STF.
Depoimentos de policiais que integravam a força-tarefa indicam que o perito, lotado em Vilhena (RO), enviou os compilados sem identificação oficial e sugeriu, por mensagens de áudio, que o conteúdo fosse repassado à imprensa. Diante da recusa da equipe, Nabas teria insistido e enviado o segundo arquivo focado no ministro Toffoli. Dias após o episódio, detalhes dos documentos foram divulgados na mídia, o que resultou no desligamento imediato do perito do grupo de investigações.
O conteúdo dos documentos
O primeiro arquivo reunia mensagens que incluíam trechos de um contrato de R$ 129 milhões do Banco Master com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes — documento que, segundo as investigações, havia sido enviado por ela diretamente ao WhatsApp do banqueiro.
O segundo documento continha informações sobre o ministro Dias Toffoli e sua ex-esposa, Roberta Rangel, com foco no resort Tayayá. O empreendimento recebeu um aporte de R$ 20 milhões de um fundo gerido pelo cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel. Parte desses dados chegou a ser utilizada pela PF para apresentar um pedido de suspeição contra Toffoli no Supremo.
A Polícia Federal ressaltou no inquérito que o procedimento apura exclusivamente o crime de violação de sigilo funcional por parte de servidores públicos, preservando o direito constitucional ao sigilo da fonte de profissionais de imprensa. Por lei, devido ao foro por prerrogativa de função, qualquer diligência ou investigação envolvendo ministros do STF exige autorização prévia e supervisão da própria Corte.
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