Correio da Manhã
Política

Nova operação da PF mira entorno de Sóstenes

Polícia encontrou dinheiro em espécie escondido em livros falsos

Nova operação da PF mira entorno de Sóstenes
A nova fase da operação atingiu pessoas próximas a Sóstenes Crédito: Lula Marques/ Agência Brasil

A terceira fase da Operação Rent a Car, denominada Operação Galho Fraco II, deflagrada nesta quarta-feira (1º) pela Polícia Federal (PF) mirou nos arredores do líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ).

As autoridades investigam o suposto desvio de recursos da cota parlamentar da Câmara por meio de uma locadora de veículos, suspeita de emitir notas fiscais fictícias. Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a operação é um desdobramento da segunda fase da Operação da PF, de dezembro de 2025, que mirou em deputados federais. Foram cumpridas medidas judiciais no Distrito Federal, em Goiás e Minas Gerais “para coleta e preservação de elementos de prova”.

Se condenados, os investigados responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro, fraude processual, organização criminosa e peculato (quando um funcionário público desvia ou se apropria de dinheiro ou algum bem que esteja sob sua responsabilidade no cargo para benefício próprio ou de terceiros). Dentre os alvos, estão agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas – que chegaram a movimentar R$ 15 milhões, segundo informações da PF.

A PF encontrou dinheiro em espécie escondido dentro de livros falsos, ou seja, caixas que aparentavam serem livros no ramo do Direito que tinham um espaço onde o dinheiro foi escondido dentro.

A cota parlamentar é um recurso mensal extra (para além do salário do parlamentar) em dinheiro que os congressistas recebem do orçamento público para cobrir despesas ligadas diretamente ao exercício do mandato. Dentre elas, passagens aéreas, alimentação, hospedagens, contratação de consultorias, manutenção de escritório, dentre outros.

Entenda

Na segunda fase da Operação Rent a Car, deflagrada em 19 de dezembro de 2025, teve como alvo os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy (PL-RJ). Na época, as investigações apontavam que os deputados investigados teriam utilizado empresas de fachada para justificar despesas custeadas com dinheiro público para interesse próprio. Dentre as empresas, está uma locadora de veículos que, segundo as apurações das autoridades, a principal suspeita é que os contratos de aluguel de veículos eram utilizados para dar aparência de legalidade ao desvio de recursos parlamentares.

Nas investigações em dezembro, a polícia ainda encontrou R$ 468,7 mil em espécie na residência de Sóstenes, em Brasília. Os valores foram encontrados dentro de sacos de lixo em um armário. Na época, o líder do PL negou qualquer irregularidade e disse que o valor foi pago para ele após a venda de um imóvel em Minas Gerais e que ele não teria depositado o dinheiro até a época por “correria de trabalho” e que o caso foi “simplesmente um lapso”. Ele disse que seus advogados e seu contador apresentariam as provas necessárias para comprovar a venda do imóvel. Onze dias após ser alvo de busca e apreensão pelo valor encontrado, o parlamentar registrou em cartório a escritura de um imóvel em Ituiutaba (MG).

Apesar de Sóstenes e Jordy não serem alvos desta operação, esta fase mira em pessoas ligadas aos congressistas para desdobrar as investigações da fase anterior. Além disso, os nomes dos congressistas são citados nos autos dos investigadores.