Correio da Manhã
Política

Kassab se torna vice de Caiado para quebrar polarização política

Chapa pura do PSD vira opção de palanque para quem quiser ficar neutro na disputa política

Kassab se torna vice de Caiado para quebrar polarização política
Caiado e Kassab apresentam palanque alternativo à polarização Crédito: Alexandre Gajardoni/PSD

Na sede do PSD em Brasília, chamou a atenção a grande presença de veteranos da política do campo conservador, mas que estão hoje sem mandato político. Caso do ex-senador mineiro Roberto Brant ou do ex-deputado baiano José Carlos Aleluia.

Mas chamou a atenção também a presença de candidatos que querem se apresentar como alternativa pelo campo conservador àqueles mais alinhados à candidatura à Presidência pelo PL do senador Flávio Bolsonaro (RJ), como o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda.

Finalmente também foi impossível não notar a ausência de alguns expoentes do PSD nas eleições deste ano. Não compareceram à solenidade na qual o presidente do partido, Gilberto Kassab, foi anunciado como candidato a vice-presidente na chapa do ex-governador de Goiás Ronaldo os governadores do partido, como Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Jr., do Paraná. Também estavam ausentes nomes favoritos a governador que estão mais alinhados a outras candidaturas, como o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes.

Sem forçar

O novo companheiro de chapa de Ronaldo Caiado admitiu as dificuldades de unidade do PSD em torno da sua candidatura presidencial. Ele disse, por exemplo, que não forçará nomes como Eduardo Paes ou a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, a subirem no palanque de Caiado.

Eduardo Paes apoia a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e terá o apoio do PT à sua candidatura ao governo do Rio. Raquel Lyra disputa em Pernambuco com o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) o apoio de Lula. Também na Bahia, o PSD, ali presidido pelo senador Otto Alencar, também deve apoiar Lula.

Independentes

Para além desses problemas, no entanto, algumas características positivas foram notadas na chapa. “Primeiro, não tem volta”, anotou José Roberto Arruda ao Correio da Manhã. “Segundo, se chegar ao segundo turno, traz o voto dos independentes”. Esse, para Arruda, é o principal ponto.

Se a campanha é polarizada hoje entre Lula e Flávio Bolsonaro, também é grande a rejeição de ambos. Ou seja, há uma parcela grande hoje de independentes, que oscilam entre Lula e Flávio por falta de opção, mas poderiam migrar para uma candidatura alternativa caso ela se mostrasse viável.

Outro ponto anotado é que, independentemente das chances eleitorais, a chapa do PSD pode se tornar porto para candidatos nos estados que não querem estar vinculados à polarização, para os quais seria interessante um palanque mais neutro.

Nesse sentido, o próprio PSD tem alguns exemplos. Um deles é Santa Catarina. A chapa pura formada no estado pelo PL, tendo o governador Jorginho Mello como candidato à reeleição, e Carlos Bolsonaro e a deputada federal Caroline de Toni como candidatos ao Senado deixou sem opção outros partidos do campo conservador. A chapa do PSD, encabeçada pelo ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues agregou o apoio do PP, com Esperidião Amin candidato à reeleição ao Senado, e o MDB local.

A estratégia do palanque neutro também se destina a tentar eleger o máximo de deputados federais. O PSD tem hoje 13 senadores e 49 deputados.

“República podre”

Kassab, porém, assumiu a condição de candidato a vice de forma firme. “Temos a convicção de que a República está podre”, disse Kassab, sem se referir diretamente aos casos que atrapalham os adversários, como o Caso Master. “Os poderes estão contaminados. O PSD está preparado para dar à sociedade as respostas que ela precisa”.

“Não se escolhe vice para tirar foto”, disse, por sua vez Caiado. “Tenho certeza absoluta que, chegando ao segundo turno, nós aglutinaremos todas as forças do país”.