A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro rompeu o silêncio sobre os ataques recebidos de aliados de Jair Bolsonaro e atacou a aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB), no Ceará. Em vídeos publicados em suas redes sociais, Michelle Bolsonaro relatou uma briga com o senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL), que a teria desrespeitado durante uma conversa por telefone.
Nos vídeos, a ex-primeira-dama relata sua indignação com a saída da vereadora Priscila Costa, vice-presidente nacional do PL Mulher, da disputa pelo Senado no Ceará para privilegiar a aliança com Ciro Gomes.
“Essa candidatura foi muito bem definida por três pessoas. Meu marido, eu e o presidente Valdemar. Não foi sugestão, foi preferência, foi decisão. E decisão baseada no potencial da Priscila Costa. Jair definiu que o PL disputaria as duas vagas do Ceará. Uma com Priscila e a outra com o pai do André [Fernandes, PL]. O que aconteceu depois foi que, aproveitando-se da prisão do Jair [Bolsonaro], começaram a trabalhar para eliminar a Priscila da disputa, cedendo a vaga dela para garantir uma aliança com o Ciro Gomes”, criticou Michelle.
“Não é questão de política é questão de coerência. Ciro Gomes foi o principal responsável pelo processo que levou a ineligibilidade do meu marido [Jair Bolsonaro]. Durante a pandemia, ele incentivou e conclamou as pessoas a chamarem o meu marido de genocida e pediu que repetissem isso o tempo todo. Ele chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro, de jumento, disse que Bolsonaro roubava gasolina, disse que as esposas de Bolsonaro seriam todas ladras, disse que os filhos do meu marido, dos meus enteados eram corruptos, que eram ladrões, e deu a eles um apelido, ovos de serpentes nazistoides”, lembrou.
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De acordo com Michelle, sua maior frustração foi com a resposta dos enteados, que passaram a defender também a aliança com Ciro no Ceará, o que teria resultado na briga com Flávio Bolsonaro. “Quando cheguei a Brasília, vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras, tom agressivo, defendendo o André Fernandes e, em consequência, apoiando a aliança com o homem que chamou a ele, a mãe e a seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nazistoides”, relatou.
“E não foi só ele. Os irmãos vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos um com os outros. Pareceu combinado, premeditado. [...] Telefonei para ele [Flávio Bolsonaro], tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado”, contou Michelle.
“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e maltratou ao telefone e eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante e então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”, disse a ex-primeira-dama.
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