Correio da Manhã
Política

Fim da escala 6x1 não irá direto para plenário, destaca Alcolumbre

Presidente do Senado segura pressão até de oposicionistas como Cleitinho

Fim da escala 6x1 não irá direto para plenário, destaca Alcolumbre
Cleitinho para Alcolumbre: "Paute essa PEC logo" Crédito: Carlos Moura/Agência Senado

Após a semana com feriado, a expectativa é que o Senado Federal defina o cronograma e o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221/2019 que reduz a jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas semanais e determina o fim da escala 6X1 (quando o empregado trabalha seis dias da semana e descansa somente um).

Apesar disso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não tem pressa. Ele confirmou que se reunirá com as lideranças da Casa para discutir o tema e destacou que a proposta não irá direto para discussão no plenário, mas será analisada nas comissões primeiro.

Como adiantou o Correio da Manhã, a tendência é que ele não retarde a discussão da medida, mas também não acelere como fez o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

“Não é razoável que a Câmara passe cinco meses debatendo um assunto muito relevante para o Brasil, para os trabalhadores e para os empreendedores, e o Senado seja obrigado a carimbar o texto aprovado na Câmara”, manifestou Alcolumbre durante sessão em plenário.

“Seria muito razoável se o Senado pudesse melhorar um texto com essa importância, se os senadores pudessem debater um assunto dessa envergadura com calma, sem açodamento, sem pressa”, ele completou.

“Paute”, pede Cleitinho

Após a declaração de Alcolumbre, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) pediu para que o presidente do Senado paute a PEC da Câmara dos Deputados. Apesar de ser de oposição, Cleitinho tem um histórico de se manifestar publicamente como favorável ao fim da escala de trabalho na jornada 6X1.

O parlamentar ainda reiterou que Alcolumbre aprovasse a proposta que chegou da Câmara porque há outras medidas no Senado semelhantes, como uma PEC encaminhada pelo próprio senador mineiro.

“Paute a [PEC] que veio da Câmara. Não paute outra, nem a minha nem outra. Se o trabalhador e o povo brasileiro querem essa que veio da Câmara, vamos debatê-la aqui e votar”, defendeu Cleitinho.

No dia seguinte que a Câmara aprovou a redução da jornada de trabalho, o presidente do Senado encaminhou para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado a PEC alternativa da oposição, que flexibiliza a jornada de trabalho, determinando que o empregado ganhe baseado em suas horas trabalhadas. Contudo, como confirmou o Correio, o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA) comunicou que priorizará a PEC da Câmara, que está mais encaminhada do que a proposta da oposição.

E vale destacar que, apesar de defender o fim da escala de trabalho 6x1, Cleitinho assinou essa PEC da oposição que estabelece que as jornadas de trabalho sejam acordadas diretamente entre patrão e empregado (inclusive uma jornada de trabalho maior que a 6X1, se for do acordo entre empregador e empregado). Após passar por uma série de críticas por apoiar a medida, mineiro retirou sua assinatura da medida e pediu para que Alcolumbre pautasse a proposta da Câmara.

A PEC 221/2019 concede o período de transição de 14 meses após a promulgação do texto (ou seja, após ele ser aprovado na Câmara e no Senado) para a nova jornada de trabalho. A medida determina que, após 60 dias depois da promulgação, deve-se acabar a escala 6X1 para trabalhadores de carteira assinada para ser instalada a escala 5X2 (os dois dias de folga não precisam ser necessariamente aos finais de semana). Nesse mesmo período também será reduzida a jornada de trabalho de 44 para 42 horas semanais. Após 12 meses depois deste período, totalizando os 14 meses pós promulgação, será instalada a jornada de 40 horas semanais, sem redução salarial para nenhum dos processos.