Correio da Manhã
Política

Ação atinge produtora do filme de Bolsonaro

Flávio nega, porém, relação entre operação e "Dark Horse"

Ação atinge produtora do filme de Bolsonaro
Karina é dona da ONG e da produtora do filme Crédito: Reprodução/YouTube

A operação da Polícia Civil de São Paulo (PCSP) que teve como alvo a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, voltou a colocar sob os holofotes o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Embora o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, tenha negado qualquer relação entre a investigação e o longa-metragem, o episódio reacendeu questionamentos sobre a origem dos recursos destinados ao projeto e ampliou a pressão política sobre o entorno bolsonarista.

Nesta segunda-feira (1º), ao chegar a um evento no Rio de Janeiro, Flávio foi abordado por jornalistas sobre a operação policial e respondeu de forma breve. Segundo ele, a ação "não tem nada a ver com o filme". Após a declaração, o senador chegou a informar que conversaria novamente com a imprensa ao fim do compromisso, mas deixou o local sem conceder entrevistas.

A operação ocorre em meio à repercussão de revelações envolvendo tratativas financeiras para a produção de “Dark Horse”. O filme foi produzido pela Go Up Entertainment, empresa ligada a Karina Ferreira da Gama, que também está associada ao Instituto Conhecer Brasil.

Investigação

A apuração conduzida pela Polícia Civil paulista tem como foco o Instituto Conhecer Brasil. Documentos relacionados à investigação apontam suspeitas sobre a destinação de recursos públicos e levaram os investigadores a buscar informações financeiras ligadas aos envolvidos.

O caso ganhou dimensão nacional porque a produtora responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro aparece no centro das discussões.

Nos bastidores políticos, aliados do senador têm evitado comentar publicamente o assunto. A estratégia tem sido deixar que as manifestações partam do próprio Flávio, enquanto a oposição busca manter o tema em evidência.

Repercussão

Entre os principais críticos está o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). Em publicação nas redes sociais, o parlamentar afirmou que pretende aprofundar questionamentos sobre os recursos destinados ao filme e voltou a citar valores que já haviam surgido em reportagens sobre negociações envolvendo o projeto.

Lindbergh também lembrou ter solicitado cooperação internacional para apurar possíveis movimentações financeiras relacionadas à produção. Segundo informações divulgadas anteriormente, as negociações para viabilizar o filme teriam envolvido valores que ultrapassariam R$ 100 milhões. Parte desses recursos, segundo os relatos publicados, teria sido direcionada para um fundo sediado no estado do Texas, nos Estados Unidos.

As declarações foram compartilhadas por lideranças petistas, entre elas a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR).

A nova operação investiga um contrato do Instituto Conhecimento Liberta com a prefeitura de São Paulo para a instalação de uma rede de wifi gratuito na cidade por R$ 108 milhões. De fato, não tem relação direta com o filme, mas surge em um momento delicado para Flávio Bolsonaro. Até porque há ainda investigações sobre emendas parlamentares que foram destinadas ao mesmo instituto da produtora do filme.