Correio da Manhã
Política

Caiado e Zema avançam e pressionam espaço de Flávio na direita

Pesquisa indica que parte do eleitorado conservador começa a olhar para alternativas ao bolsonarismo familiar

Caiado e Zema avançam e pressionam espaço de Flávio na direita
Pesquisa mostra movimento à direita contra Flávio Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

A nova pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta segunda-feira (1º), aponta um cenário que vai além da disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os números sugerem que o pré-candidato bolsonarista enfrenta dificuldades não apenas contra o petista, mas também diante de nomes da própria direita, como os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 38% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 31%. Caiado e Renan Santos registram 6% cada, enquanto Zema soma 4%. A pesquisa ouviu 2 mil eleitores entre os dias 29 e 30 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais.

O dado que mais chamou atenção, porém, está nas projeções para o segundo turno. Lula venceria Flávio Bolsonaro por 45% a 40%, cinco pontos de vantagem. Com relação à rodada anterior, Lula subiu dois pontos. E Flávio teve uma queda expressiva: quatro pontos, acima da margem de erro da pesquisa, de dois pontos. Na rodada anterior da Real Time Big Data, Flávio estava um ponto à frente de Lula: 44% a 43%.

Mas o dado mais preocupante para Flávio é que agora seus adversários no mesmo campo mais conservador cresceram sobre ele. Contra Ronaldo Caiado, Lula aparece empatado em 43% a 43%. Já diante de Zema, há também um empate, dentro da margem de erro, tendo Lula 43% contra 40% do governador mineiro.

Mudança importante

Para o jurista e analista político Melillo Dinis do Nascimento, o movimento revela uma mudança importante dentro do próprio campo conservador.

"A pesquisa mostra a perda de desempenho de Flávio Bolsonaro nesta fase da corrida eleitoral. Mas ela aponta para um dado talvez mais importante. Ele não parece estar perdendo votos para Lula. Ele começa a perder espaço para outros nomes da própria direita."

Segundo ele, os números indicam que parte do eleitorado passou a considerar alternativas ao bolsonarismo sem necessariamente abandonar as pautas conservadoras.

"Isso sugere que uma parcela do eleitorado conservador pode estar começando a fazer uma pergunta que até pouco tempo parecia proibida. Será que existe vida política à direita para além da família Bolsonaro?"

Disputa interna

Na avaliação do cientista político Rodrigo Prando, o sobrenome Bolsonaro continua sendo um ativo eleitoral, mas passou a carregar também um peso político relevante.

"Eu sempre defendi que o Flávio Bolsonaro tem o bônus e o ônus. O bônus é o sobrenome. Jogando parado na disputa eleitoral, ele tem um percentual de votos que herda do pai".

Rodrigo Prando afirma que o senador também passou a absorver desgastes recentes que atingiram sua imagem.

"No entanto, ele também herda a rejeição, que já era algo ligado, conectado ao sobrenome. Mas além disso, o áudio pedindo dinheiro para o Daniel Vorcaro para completar o filme sobre a trajetória política do pai também colocou o Flávio em evidência negativa."

Para Melillo, a ausência de Jair Bolsonaro da corrida presidencial tende a acelerar a disputa pela liderança da direita nos próximos anos.

"A ausência de Bolsonaro é o fato estruturante da eleição de 2026. Durante anos, a direita brasileira foi organizada em torno de uma liderança nacional indiscutível. Agora ela entra numa fase que lembra uma sucessão monárquica."