Orçamento

Congresso derruba veto de Lula que impedia repasses durante campanha

Vetos de Lula a dispositivos incluídos na LDO foram pauta da sessão conjunta do Congresso Nacional

Congresso derruba veto de Lula que impedia repasses durante campanha
Lula argumentou inconstitucionalidade para vetar dispositivo que permitia repasses durante período de campanha Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Congresso Nacional derrubou nesta quinta-feira (21/5) os vetos do presidente Lula a dispositivos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), incluindo o que impedia repasses de valores, bens e benefícios a estados e municípios em um período inferior a três meses antes das eleições.

O texto vetado pelo presidente, aprovado em 2025, permitia a continuidade desse tipo de transferência nos meses que atecedem o pleito, contrariando a Lei Eleitoral, que proíbe as doações governamentais para impedir que recursos públicos sejam usados para favorecer candidaturas.

 

O veto de Lula apontava a inconstitucionalidade e contrariedade do texto ao interesse público, por abrir exceção a uma regra prevista na legislação eleitoral. O Executivo também argumentava que o tema fugia do escopo da LDO, que, também por seu caráter temporário, não poderia incluir exceções à Lei Eleitoral.

A deputada Erika Kokay (PT) defendeu a manutenção do veto de Lula antes da votação no Congresso. “É bom lembrar que o governo Lula supriu os rombos feitos pelo governo Bolsonaro aos municípios. A nossa intenção é manter o veto que impede o repasse de recursos em período eleitoral. Queremos fazer com que os municípios se valorizem. Não queremos estados financiando bancos falidos, como aqui em Brasília”, disse.

Para a deputada Bia Kicis, a derrubada do veto tinha o objetivo de garantir o apoio à população nos estados e municípios a partir dos repasses federais. “O governo quer manter o povo na pobreza, dependente de Bolsa Família. Derrubar os vetos é essencial”, afirmou.

Outros vetos

Nesta quinta-feira, o Congresso também derrubou o veto governamental que proibia a transferência de recursos e assinatura de convênios com municípios inadimplentes de até 65 mil habitantes. Nesse caso, o argumento do Executivo foi de que a adimplência era uma exigência prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Também foram derrubados os vetos de Lula aos dispositivos que permitiam à União destinar recursos orçamentários para a construção e manutenção de rodovias e hidrovias sob responsabilidade de estados e municípios. O Executivo alegava que as permissões ampliariam excessivamente a competência do governo federal.

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Presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta Crédito: Saulo Cruz/Agência Senado