Correio da Manhã
Lei da Dosimetria

Moraes dá cinco dias para governo e Congresso explicarem lei

STF analisa ações que questionam constitucionalidade da chamada Lei da Dosimetria, aprovada pelo Congresso e sancionada após derrubada parcial de veto

Moraes dá cinco dias para governo e Congresso explicarem lei
Moraes já havia atuado como relator das ações penais relacionadas aos ataques às sedes dos Três Poderes Crédito: Rosinei Coutinho/SCO/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou prazo de cinco dias para que a Presidência da República e o Congresso Nacional se manifestem sobre a chamada Lei da Dosimetria, promulgada nesta sexta-feira (9) pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Moraes foi definido por sorteio como relator das ações que questionam a constitucionalidade da nova norma. A lei altera critérios de aplicação de penas em crimes contra o Estado Democrático de Direito e pode beneficiar condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.

As contestações chegaram ao STF por meio de ações apresentadas pelo PSOL e pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI). As entidades argumentam que a nova legislação cria tratamento mais favorável para crimes relacionados à ruptura institucional.

A lei estabelece que, nos casos em que os crimes contra o Estado Democrático de Direito e golpe de Estado forem praticados no mesmo contexto, deverá ser aplicada apenas a pena mais grave, sem a soma das punições, como previa a regra anterior.

Segundo os autores das ações, a mudança pode resultar em penas mais brandas para condenados por ataques à ordem democrática em comparação com autores de crimes violentos comuns.

PSOL e ABI também questionam a forma como o veto presidencial foi analisado pelo Congresso. Parte do veto foi derrubada na última semana, enquanto o trecho que poderia entrar em conflito com a chamada Lei Antifacção foi mantido. A justificativa apresentada foi evitar possíveis benefícios a condenados por crimes hediondos, como estupro e feminicídio.

O ministro também determinou que a Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da República se manifestem no prazo de três dias.

Após receber os posicionamentos, Moraes deverá decidir se suspende ou não os efeitos da nova lei. Ainda não há prazo definido para a decisão.