A defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, entregou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, nesta quarta-feira (6), os anexos de uma proposta de delação premiada.
A entrega do documento é o primeiro passo de Vorcaro na busca de um acordo de colaboração premiada e consequentes benefícios, como saída da prisão e redução de eventuais penas.
Vorcaro foi preso preventivamente no início de março em uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga ?crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito do Master, que foi liquidado. Ele já havia sido preso inicialmente em novembro do ano passado.
No dia 19 de março, Vorcaro foi transferido de uma penitenciária federal em Brasília para a Superintendência da Polícia Federal também na capital do país a pedido dos advogados do banqueiro por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
Foi ?a partir dessa transferência para a sede da PF em Brasília que Vorcaro começou a ter ?maior contato com os advogados e começou a preparar os anexos da delação premiada.
Após a entrega dos anexos da delação, a PF e a PGR vão analisar o conteúdo dos crimes que teriam sido cometidos por Vorcaro e decidir, conjuntamente, se aceitam prosseguir com o acordo.
Cada anexo deverá conter uma espécie de capítulo de crimes confessados por Vorcaro e os elementos de prova -- como contratos, extratos de transferências, conversas por aplicativo -- para que se verifique os delitos e os envolvidos.
A negociação da delação, se ?avançar, também deverá discutir os valores em multas e ressarcimento a instituições financeiras e a pessoas jurídicas e físicas. Além disso, a defesa do banqueiro vai buscar obter benefícios penais para seu cliente em troca da devolução dos valores e da confissão dos crimes.
Concluído todo esse processo, e com a concordância de todas as partes envolvidas, a proposta de colaboração premiada seguirá para homologação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Essas informações do acordo poderão, eventualmente, levar a novas operações policiais e servir de elementos para relatório final da investigação e denúncia criminal contra envolvidos.
Mendonça, segundo duas fontes, já indicou anteriormente que não iria aceitar uma delação seletiva, que blindasse autoridades e que não houvesse também uma previsão de robusta devolução de recursos a instituições lesadas como o Banco de Brasília.