Por: Gabriela Gallo

Quaest aponta Tarcísio em São Paulo, com aliados de Lula no Senado

Eleitores dividem: Tarcísio no governo e aliados de Lula no Senado | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As eleições no estado de São Paulo aparentam enfrentar características do chamado “voto cruzado”, quando um vencedor para um cargo é eleito de uma eventual linha ideológica, mas outro cargo eleito é de outra vertente.

A Pesquisa Genial/Quaest de avaliação de governo de intenção de votos no estado do São Paulo, divulgada nesta quarta-feira (29), aponta que o eleitor paulista apresenta tendência de reeleger o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Contudo, também evidencia que os novos senadores por São Paulo devem ser os indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Pesquisa ouviu 1.650 eleitores, distribuídos em 70 dos 645 municípios paulitas, entre os dias 23 a 27 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Como foi apontado em levantamentos anteriores, o atual governador é o favorito para continuar no comando do Palácio dos Bandeirantes. Nas intenções de votos espontâneas, 14% declararam voto em Tarcísio e 4% declararam voto no ex-ministro da Fazenda e indicado do governo federal ao cargo, Fernando Haddad (PT). Além disso, 54% dos entrevistados acham que Tarcísio de Freitas merece se reeleger ao governo do estado.

Em um cenário fictício de primeiro turno entre o atual governador, o ex-ministro da Fazenda, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão) e o advogado Paulo Serra (PSDB), Tarcísio tem 38% das intenções de votos, Haddad 26%, Kataguiri 5% e Serra também 5%. Em um segundo cenário fictício de primeiro turno, dessa vez sem o advogado, Tarcísio conta com 40% das intenções de votos, Haddad com 28% e Kim segue com 5% dos votos. Em um eventual segundo turno entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad o atual governador teria 49% dos votos e o ex-ministro da Fazenda 32%.

Senado

Por outro lado, apesar do favoritismo de um candidato de direita e de oposição à atual gestão do presidente Lula, o cenário se inverte nas intenções de votos para os candidatos que visam representar São Paulo nas duas cadeiras livres do Senado Federal.

De acordo com a Quaest, a candidata que tem mais intenções de votos é a ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (PSB), diretamente ligada a chapa à reeleição presidencial de Lula. E a segunda cadeira está em uma disputa entre o ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França (PSB) e a ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática Marina Silva (Rede), também aliadas do governo.

Em quatro cenários fictícios de primeiro turno eleitoral, Tebet tem 14% ou 15% das intenções de votos. Nos três cenários fictícios em que Mário França concorre ao cargo, ele tem 12% das intenções de votos. O único cenário fictício em que ele não concorre é quando a indicada é Marina Silva, que também tem 12% dos votos.

Dos nomes ligados a oposição governista, o coach Pablo Marçal, que apesar de não ter a candidatura confirmada é o nome cotado pelo União Brasil, se concorrer tem 11% das intenções de voto. Em compensação, nomes como Guilherme Derrite (PP), Ricardo Salles (Novo) e André do Pradro (PL) não chegam a 10%.

Ao Correio da Manhã, o professor de políticas públicas Jackson De Toni explicou que, “em termos de comportamento eleitoral no Brasil”, a situação ocorrer devido ao “caráter predominantemente não-ideológico do eleitor, que não condiciona sua decisão a um alinhamento partidário estrito”.

“Enquanto a escolha para o Executivo atende a lógicas e demandas locais, o voto para o Senado é fortemente influenciado pelo carisma individual do candidato e pelo peso do apoio político de figuras nacionais, como o presidente da República. Portanto, o eleitor dissocia as duas esferas, escolhendo seus representantes com base nas influências e no perfil de cada candidato para a respectiva casa, e não por fidelidade a um único partido”, detalhou o professor.

Na mesma linha, o doutor em Direito Constitucional e pró-reitor da Estácio Brasília Murilo Borsio Bataglia completou que a situação ocorre devido a uma percepção do eleitor de que “se tratam de cargos com funções diferentes”.

“Ao escolher um governador, o eleitor tende a considerar questões mais concretas e locais, como segurança pública, saúde, transporte e gestão administrativa do estado. Já na escolha para o Senado, o raciocínio costuma ser mais voltado ao cenário nacional, à representação política em Brasília e à capacidade do candidato de influenciar decisões estratégicas, como aprovação de autoridades e fiscalização do governo federal”, afirmou Murilo para o Correio da Manhã.

Questionado pela reportagem se a situação representa uma falta de noção política da população, Bataglia negou. “O fenômeno não deve ser interpretado de forma simplista: ele combina elementos de racionalidade, estratégia e também limitações informacionais. Em vez de sinalizar ignorância generalizada, essa prática muitas vezes revela um eleitor pragmático, que busca equilibrar forças políticas e escolher, em cada esfera, aquilo que considera mais adequado”, destacou o advogado.