O avanço da negociação de delação premiada de Paulo Henrique Costa passou a reorganizar o caso envolvendo o Banco de Brasília (BRB) nos bastidores da capital federal. Preso preventivamente na Papuda, o ex-presidente do banco já sinalizou formalmente ao Supremo Tribunal Federal (STF) a intenção de colaborar com as investigações, e o movimento mais recente da defesa aconteceu nesta terça-feira (28), indicando que essa tratativa entrou em uma fase mais concreta.
Em petição encaminhada ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, os advogados afirmam que Paulo Henrique manifestou interesse em cooperar com as autoridades, possivelmente por meio de um acordo de colaboração premiada. O documento também deixa claro que a formalização da proposta depende de condições práticas, que, segundo a defesa, hoje não existem no atual ambiente prisional.
O principal ponto levantado pelos advogados é a dificuldade de avançar nas tratativas dentro da Papuda. A defesa argumenta que o modelo atual impede discussões detalhadas, o manuseio de provas e, principalmente, a garantia de sigilo entre cliente e advogados, levantados pela defesa como sendo elementos considerados essenciais para a construção de uma delação.
A defesa então fez uma exigência: o pedido de transferência para uma sala de Estado-Maior na Superintendência da Polícia Federal (PF).
Pedido de Socorro
Esse movimento ocorre em paralelo à pior crise já enfrentada pelo BRB, diretamente ligada às operações com o Banco Master. Auditorias internas apontaram que cerca de R$ 12 bilhões em carteiras adquiridas pelo banco estariam sem lastro.
A origem do problema se deu por conta de uma tentativa de expansão do BRB por meio da aquisição de ativos do Banco Master, operação anunciada em março de 2025 como estratégica para transformar o banco em uma instituição de alcance nacional. À época, o negócio foi celebrado pelo governo local, que ainda estava sob a gestão de Ibaneis Rocha (MDB), mas já havia sinais de fragilidade na estrutura financeira do Master.
O cenário se agravou com a liquidação do Banco Master pelo Banco Central e a deflagração da Operação Compliance Zero, que revelou um esquema envolvendo carteiras de crédito consideradas inexistentes.
Diante desse cenário, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), decidiu formalizar um pedido de apoio ao governo federal. A solicitação prevê o aval do Tesouro para viabilizar um empréstimo ao BRB, com recursos que podem vir do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou de um consórcio de bancos, tendo garantias oferecidas pelo próprio GDF.
O movimento marca uma mudança de postura. Até então, Celina vinha criticando a ausência de ajuda da União. Nos bastidores, porém, a leitura sempre foi de que o governo federal só avaliaria qualquer tipo de socorro após um pedido formal. Mesmo com essa formalização, a avaliação agora é de cautela, pois há resistência dentro do Planalto em se associar diretamente à crise.