Por: Rudolfo Lago -BSB

Antipetismo deve ser pedra no sapato para Lula

Rejeição ao PT pode atrapalhar Lula | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Faltando seis meses para as eleições presidenciais, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem que enfrentar um desafio persistente: a rejeição ao Partido dos Trabalhadores.

Dados da Pesquisa Ipsos-Ipec (antigo Ibope) apontam que o partido chega na corrida eleitoral para outubro de 2026 com a menor taxa de simpatizantes registrada em sua história (27%) e a maior taxa de rejeição em comparação aos demais anos eleitorais (37%).

Em contrapartida, o Partido Liberal, sigla à qual está vinculado o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), que disputará com Lula as eleições presidenciais, registrou seu recorde de preferência da população.

O último levantamento da Pesquisa Datafolha apontou que, nas pesquisas de intenções de voto, 13% dos entrevistados informaram que preferem o PL dentre as opções de partidos políticos (o equivalente a 20 milhões de eleitores). Dentre os pontos que contribuíram para o crescimento da sigla está a atuação digital, variante em que o PL é muito forte.

Respeito ao resultado

Em agenda na Europa, o presidente Lula reiterou que, caso perca as eleições para seu principal adversário político, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e senador da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ele respeitará o resultado das eleições.

“Quando o povo toma uma decisão, seja de direita, de esquerda ou do centro, temos que aceitar esse resultado. Eu nunca teria imaginado que um metalúrgico, que já foi líder sindical como eu fosse eleito três vezes para a presidência. Mas aqui estou eu!”, declarou o chefe de Estado brasileiro em entrevista à revista alemã “Der Spiegel”.

Lula evitou se afirmar desde já como o candidato à Presidência de seu partido. Questionado se ele disputará as eleições em outubro, o atual chefe de Estado disse que “depende”.

“Haverá uma convenção partidária na qual meu partido discutirá os principais nomes. Estou me preparando para isso. Minha cabeça e meu corpo estão 100% em forma. Quero chegar aos 120 anos!”, ele destacou. O 8º Congresso Nacional do PT está agendado para ocorrer na próxima sexta-feira (24) e seguirá até domingo (26). O Congresso não é, porém, a instância oficial de escolha do candidato, que precisa acontecer em convenção oficial, no meio do ano.

Intenção de votos

O último levantamento da Pesquisa Datafolha, divulgado dia 11, apontou que, em comparação a todos os anos em que concorreu ao Palácio do Planalto e saiu vencedor (2002, 2006 e 2022), Lula enfrenta as intenções de voto para o primeiro turno mais apertadas em comparação a seus adversários.

Em 2002, o petista tinha uma diferença de vantagem de dez pontos em comparação a seu principal adversário da época, José Serra. Em 2006, ele tinha uma vantagem de 17 pontos percentuais em relação ao segundo colocado nas pesquisas, Geraldo Alckmin na época do PSDB. E em 2022, quando voltou a concorrer em um cenário já marcado por forte polarização política, Lula contava com 48% das intenções de voto, frente ao adversário político, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que contava com 27% das intenções de voto.

Agora, o cenário é mais acirrado. De acordo com a Pesquisa Datafolha, nas intenções de votos espontâneas (quando não apresentados os nomes dos candidatos), Lula está dez pontos percentuais à frente de seu principal concorrente, Flávio Bolsonaro, com Lula tendo 26% das intenções de votos e Flávio 16%.

Já quando são apresentados os nomes dos pré-candidatos à presidência da República, Lula conta com 39% das intenções de votos e Flávio 36%. Mas quando se trata de um eventual segundo turno entre os candidatos, eles enfrentam empate técnico, com Flávio com 46% das intenções de votos e Lula com 45% das intenções de votos.