O deputado federal José Guimarães (PT-CE) tomou posse como novo secretário de Relações Institucionais da Presidência em cerimônia no Palácio do Planalto nesta terça-feira (14). O ex-líder do governo na Câmara dos Deputados assume no lugar de Gleisi Hoffmann, que deixou o governo no começo do mês para lançar sua candidatura ao Senado pelo Paraná. Para assumir o cargo, Guimarães abriu mão de disputar uma vaga ao Senado Federal pelo Ceará.
Como adiantado pelo Correio Político, a posse de Guimarães visa garantir uma maior mobilização e articulação de cerca de 30% do eleitorado de centro que não tem se inclina no momento nem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem pelo filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). E essa mobilização atrás do voto desse eleitor começa no Congresso Nacional, aproximando-se dos parlamentares do Centrão.
De perfil discreto e longa trajetória política, José Guimarães é bem avaliado entre congressistas governistas e de oposição. Em seu discurso de posse, o ministro de Relações Institucionais reiterou a importância do diálogo na construção de consenso no Parlamento. “Não tem governo que dê certo que não tenha diálogo com o Congresso Nacional, porque o Congresso faz parte da construção da democracia. Você não constrói a democracia se não tiver diálogo com todos, sem deixar de reconhecer a pluralidade que é o Parlamento”, afirmou José Guimarães.
Dentre os desafios do novo ministro para os próximos meses, especialmente em ano eleitoral, está a aprovação das medidas que determinam o fim da escala de trabalho 6X1 (no qual empregados de carteira assinada trabalham seis dias da semana e têm apenas um dia de folga), a aprovação da indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para assumir o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
Centrão
Estavam presentes na posse do novo ministro os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), além de ampla gama de autoridades e políticos ligados ao Centrão. Ainda em seu discurso de posse, Guimarães se dirigiu diretamente aos presidentes de ambas as Casas do Congresso Nacional. “Davi Alcolumbre e Hugo Motta, vocês podem nos ajudar muito a construir as bases para nós derrotarmos a ultradireita, o fascismo e construirmos cada vez mais a democracia no Brasil”, ele destacou.
Apesar de elogiarem a indicação de Guimarães, tanto Alcolumbre quanto Motta aproveitaram seus discursos para mandarem recados para o governo. Em seu discurso, Alcolumbre disse que “está todo mundo passando dos limites institucionais que norteiam a boa convivência na relação republicana”, referindo-se a embates entre os poderes.
“Infelizmente, nos dias atuais está muito difícil fazer política com seriedade. Porque a todo instante, Hugo [Motta], as pessoas estão pensando em um processo eleitoral e efetivamente não estão pensando na vida das pessoas que precisam”, cutucou Alcolumbre.
PNE
Horas após a posse de José Guimarães, o presidente Lula sancionou o Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2026-2036, também nesta terça-feira em cerimônia no Palácio do Planalto.
O plano estabelece planos e metas voltados para a educação nos próximos dez anos. Dentre as metas, determina que 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional será voltado para a educação nacional. O PNE sancionado ainda tem a meta de, nos próximos cinco anos, alfabetizar pelo menos 80% das crianças ao final do 2º ano do ensino fundamental. Na cerimônia, Hugo Motta e Guimarães estavam presentes, mas Alcolumbre não.