Por: Gabriela Gallo

Polícia de imigração prende Ramagem nos EUA

Ramagem fugiu do país após a condenação pelo STF | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso em Orlando, nos Estados Unidos, pelo grupo ICE (sigla para Immigration and Customs Enforcement, que é o departamento de controle de imigração estadunidense) nesta segunda-feira (13).

No site oficial do Departamento de Segurança Interna do país, o nome de Ramagem aparece com a situação “sob custódia do ICE”, sem informar o local em que ele está detido. O nome do ex-delegado consta na lista de foragidos da Interpol, maior organização policial internacional do mundo, porém ele está detido por questões migratórias irregulares.

“A prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e as autoridades policiais dos EUA”, segundo a PF. A expectativa é que o ex-diretor da Abin passe por uma audiência para definir seu destino. O Supremo Tribunal Federal (STF) pediu a extradição do ex-deputado, mas a defesa de Ramagem deve defender que ele é um perseguido político.

Em setembro de 2025, Ramagem foi condenado pela Primeira Turma do Supremo a 16 anos de prisão por integrar o núcleo principal do grupo que articulou um plano de tentativa de golpe de Estado. Pouco após a condenação, o delegado fugiu para os Estados Unidos de maneira clandestina, utilizando um passaporte diplomático e visto de turista. O passaporte, contudo, perdeu a validade quando ele perdeu o mandato de deputado federal. Dois meses após se refugiar em solo norte-americano, o brasileiro foragido alegou que se sentia “seguro com a anuência e o conhecimento do governo americano” e que se sentiu “abraçado” pela gestão de Donald Trump.

Após a fuga do ex-diretor da Abin, o governo brasileiro entregou o nome de Alexandre Ramagem para a lista de foragidos da Interpol. Através da Embaixada do Brasil em Washington, o governo brasileiro solicitou aos Estados Unidos, em dezembro de 2025, a extradição de Ramagem.

Repercussão

Por meio de suas redes sociais, o jornalista e empresário bolsonarista Paulo Figueiredo negou que o ex-parlamentar tinha sido preso e disse que Ramagem, na realidade, foi detido “após uma abordagem policial em Orlando, inicialmente por uma infração leve de trânsito e, na sequência, encaminhado ao ICE - procedimento comum na Flórida”.

“Essa é, neste momento, uma questão meramente imigratória. Porém, o status de Ramagem é legal: ele possui um pedido de asilo pendente, protocolado há tempos e ainda sob análise, o que lhe permite permanecer legalmente nos Estados Unidos até a decisão final do caso - que é demorada, mas tem tudo para ser deferida”, escreveu Figueiredo.

Nesta segunda-feira, o senador Jorge Seif (PL-SC) encaminhou para a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil um pedido de asilo político ao ex-chefe da Abin. No documento, o senador defendeu que nos últimos anos, especialmente após os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 contra as sedes dos Três Poderes, o Brasil passa por um “cenário de crescente tensão institucional” que tornou “diversos atores políticos alinhados à direita” como “alvo de investigações e medidas judiciais de natureza controversa”.

“Considerando a relevância institucional do cargo que ocupa, sua trajetória como servidor público, autoridade policial, diretor da Agência Brasileira de Inteligência e representante eleito, bem como as circunstâncias que envolvem o estado de perseguição política e possíveis violações a garantias fundamentais, entendo ser de extrema importância que tais fatos sejam devidamente conhecidos e avaliados pelas autoridades competentes dos Estados Unidos”, ressaltou Seif.