De olho na disputa de 2026, José Roberto Arruda (PSD) decidiu jogar com duas cartas na mesa. Ao falar sobre o cenário presidencial, o ex-governador do Distrito Federal deixou claro que não pretende escolher um único lado, e já antecipa um palanque dividido no DF, de olho nos votos do eleitor mais conservador, com quem se identifica.
Arruda disse que apoiará e dará palanque ao candidato do seu partido à Presidência, o ex-governador Ronaldo Caiado. Mas não pretende fechar este mesmo palanque para o senador Flávio Bolsonaro (RJ), candidato do PL. Só quem não parece perto de figurar ao lado de Arruda é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Eu vou apoiar o Caiado, mas também vou apoiar o Flávio”, afirmou, ao comentar como deve se posicionar na corrida nacional. “Eu tenho eleitores que votam neles”, justificou.
A declaração foi dada durante conversa exclusiva em almoço na casa Correio da Manhã, em Brasília. Na conversa, Arruda falou de outros planos, caso seja mesmo, como acredita, elegível para disputar o GDF este ano. Veja abaixo a entrevista:
Pergunta: O seu palanque no DF será do Caiado?
Arruda: Eu vou seguir as orientações do meu partido. Claro que eu vou apoiar o Caiado, mas eu também vou apoiar o Flávio.
Pergunta: O senhor vai abrir, então, o palanque também para o Flávio Bolsonaro?
Arruda: Não tem jeito de não abrir, porque, além das relações pessoais, os nossos eleitores são comuns. A minha relação com o Caiado é muito boa, somos amigos, convivemos muito tempo no Congresso. Ele terminou o governo com uma aprovação de 88% e isso não foi à toa. O que ele fez na segurança pública, na área social e na infraestrutura é absolutamente diferente de tudo que eu já tinha visto. Ele levou uma equipe jovem, com um modelo de gestão diferenciado, um governo muito transparente. A aprovação não é por carisma, é por resultado. Acho que a vida pública dele o credencia a disputar a Presidência. Eu sou amigo também do Flávio, muito amigo do Flávio Bolsonaro. Acho que ele está se saindo bem nas pesquisas porque é um sujeito habilidoso, educado, ponderado, e tem convicções que todos conhecemos, mas coloca isso de uma maneira mais razoável, com aceitação no centro. Então, na minha visão, nós temos hoje, além do atual presidente, dois excelentes candidatos à Presidência da República.
Pergunta: Esse duplo palanque se deve a quê?
Arruda: Um pouco das duas coisas. Dependendo do andar da carruagem, o PL poderá estar comigo. Hoje está mais ligado à Celina (atual governadora do DF) por uma relação pessoal, mas as relações políticas são comigo.
Pergunta: O senhor hoje critica o governo Ibaneis Rocha. Mas o senhor o apoiou nas últimas eleições. Inclusive, sua esposa na ocasião, Flávia Arruda, foi a candidata a senadora na chapa dele. O senhor acha que conseguirá se descolar agora de Ibaneis.
Arruda: Mas se eu descolei da própria Flávia (risos)! O cenário mudou em relação à última eleição, especialmente após a questão da elegibilidade. Agora, com as mudanças que aconteceram na Lei da Ficha Limpa, estou elegível, e isso não deverá mudar. Hoje, não tenho mais problema de elegibilidade. Então é o seguinte: aceita que dói menos. Vamos disputar nas urnas.
Pergunta: A saúde é o nosso maior problema aqui?
Arruda: A saúde é o maior problema na ótica do cidadão. Mas na ótica do Estado, é o próprio Estado. É um governo com orçamento de R$ 74 bilhões e com déficit, uma máquina pública absolutamente doente. Para consertar a saúde, antes você tem que acertar as contas. Eu governei com 16 secretarias, hoje são 43. Eu tinha 5 mil cargos em comissão, hoje são 27 mil.
Pergunta: Isso significa que o senhor reduziria a estrutura do governo?
Arruda: Não tenho a menor dúvida. Governo é para servir à sociedade, não para ser autofágico. Hoje a máquina pública está a serviço de um projeto de poder, não de um projeto de cidade.
Pergunta: Para além das eventuais irregularidades, Ibaneis tentou transformar o BRB num grande banco comercial, atuando para além de Brasília. Na sua avaliação, essa estratégia foi um erro?
Arruda: Isso não foi um erro, foi um crime. O BRB sempre foi um banco regional, de fomento. Quando virou banco comercial, se perdeu. O que aconteceu ali foi um assalto. Há aquele seriado espanhol, Casa de Papel, em que um professor intelectual planeja um assalto ao banco perfeito. Esse foi muito pior. Hoje, não é mais aquele assalto tradicional. É muito mais sofisticado, muito pior.
Pergunta: Então, o BRB voltaria a ser um banco regional?
Arruda: Sem a menor dúvida. Fecharia imediatamente essas agências em Dubai, Nova York, Piauí. Todas essas coisas do governo Master. Patrocínio de time de futebol, camarote de Fórmula Um.
Pergunta: Qual sua visão do quadro eleitoral no DF?
Arruda: Celina Leão é a favorita, nessa versão Governo Master, segunda edição.
Pergunta: Mesmo com a crise do Master/BRB?
Arruda: Mesmo com a crise do Master. Antes, tínhamos alguém que tomava um vinho no almoço e não aparecia para trabalhar à tarde. Agora, temos alguém que trabalha muito. E que não tem muitos limites na sua atuação.