Faltando seis meses para as eleições presidenciais, integrantes da oposição governista, em especial membros do clã Bolsonaro, se envolveram em brigas com aliados. Nesta segunda-feira (6), o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, reiterou que não é o momento para brigas e discussões na direita brasileira.
“Não podemos brigar, temos que ter paciência. Temos que pensar no Jair Bolsonaro. Veja o que ele está passando”, disse o presidente do partido do ex-presidente Bolsonaro, em entrevista à CNN Brasil.
Brigas
A declaração para uma tentativa de pacificação de Valdemar se refere a brigas que ocorreram neste final de semana, por meio das redes sociais.
Um dos embates ocorreu entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Nas redes sociais, Eduardo criticou a página “Space Liberdade”, uma das principais de direita na rede social “X”, após o dono da página declarar que não pretende votar no senador e pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Pouco tempo depois, Nikolas compartilhou um vídeo da página que criticava o governo e falava que o Pix chegou no governo de Jair Bolsonaro. Eduardo considerou o ato como um ataque e manifestou que o parlamentar tinha que dar espaço a conteúdos que apoiassem abertamente a candidatura de Flávio.
Após a manifestação de Eduardo, a situação escalonou quando Nikolas interagiu com um comentário de um usuário que questionou e ironizou Eduardo por ter se incomodado com o conteúdo criticar o presidente Lula. O deputado federal respondeu ao usuário com uma risada: “Kkk”.
“Risinho de deboche para mim, Nikolas”, respondeu Eduardo Bolsonaro. “Ao que parece, não há limites para seu desrespeito comigo e minha família. Triste ver essa versão caricata de si mesmo. Não é, nem de longe, o menino que conheci, apoiei e acreditei. Os holofotes e a fama te fizeram mal, infelizmente”, acusou o ex-parlamentar.
Outro desentendimento ocorreu entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o vereador pelo Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL). Michelle repostou em suas redes sociais um vídeo do senador Espiridião Amim (PP-SC). Apesar do conteúdo do vídeo ser voltado para o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, 2 de abril, nos bastidores o movimento foi interpretado como uma alfinetada ao enteado da ex-primeira-dama. Isso porque Amim ficou fora da chapa do PL em Santa Catarina e tornou-se o principal adversário de Carlos Bolsonaro na corrida pelo Senado.
Além do embate entre Carlos e Espiridião Amim para o Senado, a ação também foi interpretada como alfinetada porque Michelle compartilhou o vídeo pouco tempo após uma publicação de Carlos em suas redes sociais no qual ele alega que quem se diz do PL mas “não posta, não se posiciona e nem menciona apoio a Flávio Bolsonaro em reuniões políticas não merece confiança”. E, até o momento, a ex-primeira-dama não se engajou na candidatura de Flávio.
Retratação
Além de Valdemar, no sábado (4) Flávio Bolsonaro usou suas redes sociais para tentar pacificar as brigas recentes, reiterando que é necessário “racionalidade”.
“É muito angustiante ver lideranças do nosso lado se digladiando enquanto temos um país para resgatar. O inimigo não está aqui, está do lado de lá”, disse Flávio em referência a seu então principal adversário na corrida pelo Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Esse é o tipo de confusão que não tem vencedor, todo mundo sai perdendo”, ele completou.
Após as falas de Valdemar e o vídeo de Flávio Bolsonaro, as figuras públicas que se envolveram nas brigas apagaram as publicações. O próprio Nikolas, em resposta indireta às acusações de Eduardo Bolsonaro em não apoiar abertamente a candidatura de Flávio, comentou no vídeo do primogênito do clã Bolsonaro, firmando seu apoio a sua candidatura. “Concordo, presidente. Cada um fazendo sua parte, chegaremos lá”, escreveu Nikolas Ferreira.