O presidente nacional do Cidadania, deputado federal Alex Manente (SP), irá acionar o Ministério Público Federal para investigar a condução do partido entre 2023 e 2025, período que, segundo ele, foi marcado por uma gestão sem legitimidade e por indícios de irregularidades administrativas e financeiras.
De acordo com Manente, Comte Bittencourt nunca ocupou formalmente a presidência da legenda, apesar de ter atuado como dirigente durante quase três anos. A atual direção sustenta que esse período foi caracterizado por decisões tomadas à margem do estatuto e sem reconhecimento jurídico.
A ofensiva inclui representação criminal para apurar possível uso irregular de recursos, prática de atos sem respaldo legal e descumprimento de decisões judiciais, além de medidas para responsabilização civil e eventual ressarcimento de prejuízos causados ao partido.
“Há indícios que precisam ser apurados como gestão irregular de recursos, prática de atos sem legitimidade jurídica, descumprimento de decisões judiciais e tentativas de bloqueio financeiro do partido. Esses elementos já estão nos autos, em uma sequência de judicializações, em processos sob segredo de Justiça utilizados para dificultar o contraditório e uma estratégia clara de desestabilização institucional. Também vamos ingressar com ação de danos morais, para reparar os prejuízos causados ao partido. E, mais do que isso, vamos propor uma ação regressiva para ressarcimento integral dos danos, financeiros, operacionais, jurídicos e eleitorais”, afirmou.
Um dos focos da apuração será a atuação de Comte na Fundação Astrogildo Pereira, ligada ao Cidadania, que, segundo a direção atual, apresenta indícios de falhas de governança e funcionamento em desacordo com normas partidárias.
A eleição de Manente, em 2026, marcou a primeira mudança efetiva no comando da legenda após décadas sob liderança de Roberto Freire. A atual gestão afirma que atua para encerrar o período de instabilidade interna e reorganizar o partido com base em 14 decisões judiciais favoráveis no TJDFT, no STF e no TSE.