Por: Redação

Em resposta aos EUA, Lula diz que 'ninguém vai fazer a gente mudar o Pix"

Presidente Lula durante visita a obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador (BA), nesta quinta-feira (2). | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu, nesta quinta-feira (2), as novas críticas do governo dos Estados Unidos ao Pix. Ele enfatizou que o sistema de pagamentos é de interesse estritamente nacional e que não serão feitas mudanças no seu funcionamento agradar a administração do presidente Donald trump.

Lula falou sobre o assunto durante visita a obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador (BA)

"Os Estados Unidos fizeram um relatório essa semana sobre o Pix. Ele disse que o Pix distorce o comércio internacional, porque o Pix é o que cria problema para a moeda dele. O que é importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir: o Pix é do Brasil e ninguém, ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira", assegurou.

O presidente acrescentou que o "que nós poderemos fazer é aprimorar o PIX para que, cada vez mais, ele possa atender às necessidades de mulheres e homens desse país".

O presidente fez as declarações em resposta ao novo relatório do United States Trade Representative (USTR), vinculado à Casa Branca, que acusou o Brasil de manter práticas protecionistas desiguais no trato econômico com os Estados Unidos. Entre as políticas locais citadas, estavam o sistema Pix e a taxação de bens importados a partir de plataformas digitais, a "taxa das blusinhas".

O Pix é citado no documento como um ponto de preocupação comercial. O USTR alega que o sistema recebe "tratamento preferencial" pelo Banco Central, desfavorecendo serviços estrangeiros de pagamento eletrônico, como bandeiras de cartões de crédito ou plataformas virtuais como paypal. A exigência de oferta do Pix a instituições financeiras com mais de 500 mil contas é citada como exemplo do favoritismo.

O mesmo tipo de crítica foi levantada pelo governo americano em julho de 2025, quando Trump impôs o pacote de tarifas de 50% sobre importações de produtos brasileiros.

Integrantes do governo têm visto, no embate de Lula com Trump, uma possibilidade de crescimento eleitoral do petista. Trump é apoiado pelo bolsonarismo, que deve ter Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato ao Palácio do Planalto em 2026.

Pesquisa Quaest de setembro de 2025 aponta que 64% dos entrevistados acha certo Lula defender soberania frente aos EUA.

Crítica à guerra no Irã

Ainda no evento em Salvador, Lula também retomou críticas à conduta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por manter a guerra contra o Irã, que retaliou ao fechar o acesso de navios ao Estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, aumentando o custo dos combustíveis no mundo inteiro.

"Ninguém aqui pediu para o presidente Trump fazer guerra, ninguém pediu. E ele fez a guerra dele e o preço da gasolina está chegando aqui do óleo diesel e vai aumentar o preço do alface, o preço do feijão, o preço de óleo, o preço do pão", afirmou.