A reta final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ganhou novos elementos nesta segunda-feira. Atendendo a uma ação do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), e outros parlamentares, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça deu um prazo de 48 horas para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) prorrogue a comissão de inquérito concedendo mais tempo para a investigação.
Com isso, a comissão deve ganhar mais 60 dias para a conclusão dos seus trabalhos. E, neste momento, centra-se em obter o depoimento da influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, no centro das investigações sobre o Banco Master. Sem conseguir notificá-la oficialmente, integrantes da comissão já discutem a possibilidade de condução coercitiva, caso ela não apresente justificativa para a ausência.
Antes da decisão de Mendonça, a comissão tinha apenas mais uma sessão deliberativa antes do encerramento dos trabalhos, previsto para o próximo sábado (28).
Impasse
A sessão desta segunda-feira (23), que previa a oitiva de Martha Graeff, acabou cancelada após a internação médica de outro convocado. Ainda assim, o não comparecimento da influenciadora expôs um problema mais amplo: a comissão não conseguiu localizá-la, apesar das tentativas feitas com apoio da Polícia do Senado.
De acordo com a assessoria do senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão, foram enviados e-mails e contatos telefônicos para possíveis endereços ligados a Martha, que vive em Miami, nos Estados Unidos, mas não houve retorno. A convocação aprovada pela CPMI obriga o comparecimento, mas, na prática, a notificação é condição essencial para que a exigência tenha validade.
Nos bastidores, parlamentares avaliam que a ausência pode comprometer uma das últimas linhas de apuração ainda em aberto. Isso porque Martha aparece diretamente em mensagens atribuídas a Vorcaro, que fazem parte do material analisado pela Polícia Federal (PF).
Pressão
Além da CPMI do INSS, a CPI do Crime Organizado também aprovou a convocação da influenciadora, ampliando a pressão para que ela preste esclarecimentos. O depoimento chegou a ser marcado para esta quarta-feira (25), mas, assim como na CPMI, não houve confirmação de contato com a defesa ou com a própria Martha.
As mensagens trocadas entre ela e o banqueiro, entre 2024 e 2025, colocaram seu nome no radar das investigações. Nos diálogos, Vorcaro teria citado políticos, integrantes do mercado financeiro e detalhes sobre a movimentação de recursos.
Há ainda suspeitas, levantadas a partir dessas conversas, de que parte do patrimônio do empresário poderia ter sido colocada em nome da então companheira — hipótese negada por Martha, que afirma não ter qualquer relação com irregularidades.
Reação
O avanço das apurações ocorre em paralelo ao aumento da tensão institucional em torno da CPMI. Documentos encaminhados ao Senado mostram que a oposição passou a reagir diretamente a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que afetaram o andamento das investigações.
Em uma dessas iniciativas, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição, protocolou denúncia por crime de responsabilidade contra o ministro Flávio Dino, sob a alegação de que houve interferência nos trabalhos da comissão ao suspender quebras de sigilo aprovadas pelo colegiado.
Segundo o documento, a decisão teria impactado diretamente o ritmo das apurações e limitado o acesso a informações consideradas estratégicas para o avanço das investigações.
Enquanto isso, a cúpula da CPMI ainda tenta, sem garantia de sucesso, uma prorrogação dos trabalhos no STF. A avaliação predominante, porém, é de que o tempo curto deve forçar a comissão a concluir o relatório mesmo com lacunas — entre elas, o depoimento de uma das personagens que pode ajudar a esclarecer os bastidores do caso.