Por: Rudolfo Lago -BSB

Caso Master dita o tom da semana em Brasília

TSE julga federação dos partidos de Ciro e Rueda | Foto: Divulgação/PP

A semana que começa nesta segunda-feira (23) será marcada por uma forte movimentação política e institucional em Brasília, com desdobramentos diretos do caso Banco Master influenciando diferentes frentes no Congresso Nacional. A expectativa se concentra principalmente na reunião da CPMI do INSS, marcada para as 16h, que pode inaugurar uma nova fase das investigações com o depoimento da influenciadora e empresária Martha Graeff, ex-namorada do banqueiro Daniel Vorcaro.

A oitiva foi aprovada na última sessão do colegiado e é vista como estratégica. Segundo o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a expectativa é que ela contribua para esclarecer eventuais conexões entre Vorcaro, agentes públicos e o sistema financeiro. Nos bastidores, parlamentares avaliam que o depoimento pode abrir novas linhas de apuração e ampliar o alcance político do caso.

Pressão política

O impacto do caso Master já extrapolou a CPMI do INSS e passou a influenciar outras frentes no Congresso. A CPI do Crime Organizado, que se reúne na quarta-feira (25), às 9h, também colocou o tema no centro das apurações e deve ouvir, no mesmo dia, o ex-governador de Mato Grosso José Pedro Taques e também Martha Graeff.

Nos bastidores, parlamentares avaliam que a oitiva de Martha é estratégica para destravar pontos considerados sensíveis da investigação. Isso porque, segundo integrantes da comissão, era com ela que Daniel Vorcaro compartilhava detalhes de suas articulações, inclusive menções a autoridades e movimentações financeiras.

Mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF) e já encaminhadas ao Congresso indicam que a ex-companheira não apenas tinha conhecimento das operações, como também aparece vinculada a estruturas patrimoniais no exterior. As apurações apontam para transferências que podem superar US$ 100 milhões, além da criação de um trust nos Estados Unidos (EUA) em que ela figura como beneficiária.

Agenda econômica

No campo econômico, a semana começa com a abertura do prazo para entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2026 (IRPF), referente ao ano-base 2025. A Receita Federal inicia o recebimento das declarações nesta segunda-feira (23), com prazo final em 29 de maio.

As restituições começam a ser pagas também a partir de 29 de maio, em quatro lotes, com expectativa de que cerca de 80% dos contribuintes recebam até 30 de junho. Entre as novidades, está a ampliação da declaração pré-preenchida, que passa a incluir dados mais detalhados, como informações do eSocial e rendimentos de aplicações financeiras.

Escala 6x1

Na terça-feira (24), às 14h, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados analisa a proposta que trata do fim da escala 6x1. A PEC 8/2025, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), propõe a redução da jornada semanal para até 36 horas, com modelo de quatro dias de trabalho e três de descanso, sem redução salarial.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apoia a medida e já sinalizou que pode enviar um projeto próprio com urgência constitucional caso a tramitação não avance até o fim de abril. A estratégia foi confirmada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e prevê pontos como jornada de cinco dias de trabalho, redução da carga horária e manutenção dos salários.

Xadrez eleitoral

No meio da semana, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga, na quarta-feira (26), às 10h, o pedido de registro da federação entre União Brasil e Progressistas. A aliança, liderada por Antônio Rueda (União) e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), pode formar a maior bancada da Câmara e uma das principais forças políticas do país.

Apesar do potencial de fortalecimento, o grupo enfrenta disputas internas e divergências regionais, especialmente com foco nas eleições de 2026. A decisão do TSE será determinante para consolidar o arranjo político em construção.