Por: Redação

Bolsonaro está na UTI e ficará internado por ao menos sete dias, diz médico

Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom

O cardiologista de Jair Bolsonaro (PL), Brasil Caiado, disse aos jornalistas que o ex-presidente ficará internado por ao menos sete dias no hospital DF Star, para onde foi levado na manhã desta sexta-feira (13) após passar mal no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como "Papudinha", onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Caiado destacou que essa foi a crise mais grave que Bolsonaro já teve e que, neste momento, está tomando dois antibióticos na veia e suporte clínico não invasivo. O médico disse que não tem um tempo determinado para alta do ex-presidente, mas que, geralmente, nesses casos são necessários no mínimo sete dias de internação.

"Eu não acredito que ele volta nos próximos dias, porque, como o tratamento é venoso e tem que ser feito em ambiente hospitalar, é um padrão para todo tipo de pneumonia broncoaspirativa em paciente da idade dele. Todo mundo é tratado em ambiente hospitalar com remédio venoso, sendo monitorado 24 horas por dia com equipe multidisciplinar", disse o cardiologista.

Na UTI

O ex-presidente está internado na UTI do hospital, de acordo com Brasil Caiado. A tomografia confirmou a broncopneumonia bilateral, a mais acentuada a todas que ele já teve.

Jair Bolsonaro começou a passar mal, com calafrios e sudorese, às 2h desta sexta-feira (13) na Papudinha. Ele foi transferido por volta das 9h para o hospital na capital federal, com oxigênio nasal. Apresentou febre alta, enjoo, dor de cabeça forte, calafrios e queda na saturação.

O médico ainda explicou que o bloqueio das vias aéreas superiores e a infeção respiratória provavelmente foram causados pela esofagite, gastrite e refluxo que Bolsonaro tem, com o líquido do estômago sendo aspirado pelo pulmão causando essa pneumonia aguda.

Por volta das 13h30 desta sexta, o quadro estava mais estável, de acordo com o médico, mas Bolsonaro ainda sentia tontura, enjoo e dor de cabeça

A informação também foi confirmada por seu filho Flávio Bolsonaro (PL-SP), senador e pré-candidato à Presidência. Ele criticou as negativas da prisão domiciliar e afirmou que estão brincando com a vida do seu pai.

“Mais uma vez, reforço aqui, que estão brincando com a vida do meu pai. Não dá mais pra ficar com essa postura de achar que isso aqui é algum tipo de frescura, ou ficar com essa paranoia de que ele pode fugir, cumpra-se a lei. O mínimo que ele deveria ter é essa domiciliar humanitária em casa, onde ele pode ter cuidado permanente da família”, disse.

Moraes determinou segurança policial de 24 horas, com pelo menos dois policiais na porta do quarto, e proibiu rigorosamente a entrada de celulares e computadores no local. As visitas que estavam agendadas no presídio foram suspensas.

Após a internação, o advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, publicou uma nota cobrando novamente a transferência do ex-presidente para o regime de prisão domiciliar. A defesa argumenta que o sistema prisional não tem condições de oferecer os cuidados médicos necessários e afirma que o risco de agravamento da saúde já havia sido alertado em laudos anteriores.

Os últimos pedidos de prisão domiciliar foram negados pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal, ministro Alexandre de Moraes. Na nota, o advogado critica o STF, afirma haver perseguição jurídica e compara a situação com a do ex-presidente Fernando Collor, que teve a prisão domiciliar autorizada pelo mesmo ministro após diagnósticos de apneia do sono e princípio de Parkinson.