Por: Gabriela Gallo

41% a 41%: Lula e Flávio em empate rigoroso no segundo turno

Quaest coloca Flávio em empate absoluto com Lula | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O último levantamento da Pesquisa Genial/Quaest, divulgado nesta quarta-feira (11), revela que, caso as eleições presidenciais ocorressem atualmente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), estariam rigorosamente empatados em um eventual segundo turno.

Pesquisas eleitorais anteriores já registravam empate técnico entre o presidente e o senador. Contudo, neste levantamento, em um eventual segundo turno ambos teriam 41% das intenções de votos, com 16% dos eleitores votando em branco ou nulo. Em comparação aos demais candidatos, Flávio é o único que empata com Lula.

O levantamento ouviu 2.004 eleitores com mais de 16 anos distribuídos em todas as unidades da federação, entre os dias 6 a 9 de março. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de dois pontos percentuais (p.p.).

Competitivo

Ao Correio da Manhã o professor de Políticas Públicas do Ibmec Brasília Arthur Wittenberg destacou que o resultado reflete que o nome de Flávio “deixou de ser apenas um nome do campo bolsonarista e se tornou uma candidatura competitiva”.

Ele ainda explicou que a situação decorre de um desgaste do governo. Segundo a pesquisa, 51% dos entrevistados desaprovam o governo Lula, 43% o avaliam como negativo e 58% acham que o país está na direção errada. “Quando o incumbente está nessa situação, o oposicionista tende a crescer quase por gravidade”, completou.

Apesar do crescimento registrado, o professor universitário afirmou que a situação e trajetória de Flávio não é irreversível.

“O que a pesquisa permite afirmar com segurança é que ele cresceu, se viabilizou e empatou. O que ela ainda não permite dizer é se ele conseguirá transformar esse crescimento em liderança estável. Isso dependerá da percepção econômica nos próximos meses, da capacidade do governo de reverter seus indicadores de aprovação e da habilidade de Flávio de ampliar seu alcance para além da direita e do bolsonarismo”, ele avaliou.

Diante disso, o analista avaliou sinais mistos de que Flávio teria “encostado no teto” ou não. “De um lado, sua rejeição já está em 55%, praticamente no mesmo nível de Lula, e apenas 38% o veem como o mais moderado de sua família, o que limita a expansão para o centro. Por outro lado, ainda há espaço potencial: Lula está em 41% de intenção de voto entre quem o conhece, enquanto Flávio está em 36%, com 9% de desconhecimento residual contra apenas 3% de Lula. Isso sugere que Lula está mais próximo de um teto consolidado, enquanto Flávio ainda pode converter conhecimento em voto”, ponderou Wittenberg.

Nas pesquisas espontâneas de intenção de voto, o presidente da República ainda sai na frente e segue como o mais lembrado, com 18% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro logo atrás, com 10% das intenções de voto. Em um eventual primeiro turno entre Lula, Flávio e o governador do Paraná, Ratinho Júnior, como representante do PSD na disputa eleitoral, ainda colocam o petista na frente. Nesse cenário, Lula tem 37% das intenções de votos, o senador 30% e Ratinho Júnior 7%.

As situações eleitorais alteram pouco em outros cenários com outros candidatos representando o PSD no lugar de Ratinho Júnior. Em um eventual primeiro turno com Lula, Flávio e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, representando o PSD, o presidente tem 39% das intenções de voto, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) 32% das intenções de voto e Caiado 4% dos votos.

A situação muda levemente em um terceiro cenário com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, como representante do PSD, no qual Lula e Flávio apresentam empate técnico no primeiro turno. Lula fica com 36% das intenções de voto, Flávio com 33% e Leite com 3%.