O que era tratado nos bastidores agora entra no centro da investigação. Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, confirmou a interlocutores que o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, custeou passagens e hospedagem de uma viagem feita a Portugal no fim de 2024.
A admissão ocorre dias após a CPMI do INSS aprovar a quebra de seu sigilo bancário e fiscal.
Viagem
De acordo com relatos publicados pelo jornal O Estado de São Paulo, o filho de Lula e o Careca do INSS teriam viajado para conhecer um galpão e uma fábrica ligados à produção de cannabis para fins medicinais — área em que o lobista pretendia investir.
O filho do presidente teria sido convidado a integrar o empreendimento, mas, segundo sua versão, o negócio não foi fechado e nenhum valor foi recebido.
A Polícia Federal (PF) investiga a relação entre os dois depois de os investigadores encontrarem no celular de Camilo Antunes mensagens que citam pagamentos de R$ 300 mil ao “filho do rapaz”. A PF apura se a referência seria a Lulinha. Um ex-funcionário do lobista afirmou aos investigadores que ambos seriam sócios, mas, a informação foi negada pelo filho do presidente.
No entanto, de acordo com as apurações do jornal, a aproximação entre os dois teria ocorrido por meio da empresária Roberta Luchsinger, descrita como atuante na área de advocacy em Brasília. E os encontros teriam acontecido na residência dela, no Lago Sul, onde teriam sido discutidos temas e oportunidades no setor de cannabis medicinal.
Defesa
Em nota, a defesa de Lulinha afirmou que as informações divulgadas não tiveram como fonte o próprio investigado ou seus advogados. Sustentou que os esclarecimentos serão prestados ao Supremo Tribunal Federal e reiterou que ele “não tem relação com o esquema do INSS”, não foi sócio de Antunes e não recebeu valores.
Em dezembro do ano passado, diante das primeiras suspeitas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que, se houver envolvimento de familiares, eles deverão ser investigados. Agora, com a admissão sobre a viagem, a pressão política aumenta e a CPMI entra em uma fase decisiva, em meio à expectativa por novos desdobramentos e pela coletiva anunciada para esta tarde.
Investigação
O episódio ganhou novo peso após a CPMI do INSS aprovar a quebra de sigilo de Lulinha. A sessão foi marcada por bate-boca, empurrões e troca de socos. Governistas contestaram o resultado da votação e alegaram erro na contagem dos votos. Parlamentares da base recorreram ao presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, pedindo a anulação da deliberação e a apuração de eventual quebra de decoro do presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG).
Alcolumbre aguarda análise técnica das imagens da sessão para decidir se houve irregularidade. Além disso, também está sob avaliação a prorrogação dos trabalhos da CPMI por mais 60 dias, uma vez que o prazo atual termina em 28 de março.