Por: Rudolfo Lago -BSB

Guerra no Oriente Médio preocupa Brasil

Nota foi divulgada pelo Itamaraty na noite de sábado | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Diante da escalada do conflito no Oriente Médio, após o ataque ao Irã executado em conjunto por tropas dos Estados Unidos e Israel, o governo brasileiro manifestou, em comunicado divulgado na noite de sábado (28), "profunda preocupação".

O ataque ocorreu na manhã de sábado. O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, morreu em um dos bombardeios. Como reação, o Irã bombardeou uma base da Marinha dos Estados Unidos no Bahrein. Os ataques aconteceram depois de intensa negociação e trocas de acusações desde que protestos no Irã foram reprimidos pelo governo do país. O ataque deixou 201 mortos e 147 feridos até o domingo (1).

No comunicado divulgado na noite de sábado, o Brasil reafirmou que o diálogo e a negociação diplomática "constituem o único caminho viável para a superação das divergências e a construção de uma solução duradoura" e reforçou o papel das Nações Unidas na prevenção e na resolução de conflitos.
O Brasil também fez um apelo à interrupção de ações militares ofensivas e instou todas as partes a respeitar o direito internacional.

O país "condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis", diz a nota.

O governo se solidarizou com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia, atacados pelo Irã em 28 de fevereiro.

"Ao lamentar a perda de vidas civis, o Brasil expressa ainda solidariedade às famílias das vítimas. Enfatiza, a propósito, a obrigação dos Estados de assegurar a proteção de civis, em conformidade com o direito internacional humanitário", diz, ainda, a nota.

Leia o comunicado na íntegra:

"O governo brasileiro manifesta profunda preocupação com a escalada de hostilidades na região do Golfo, que representa grave ameaça à paz e à segurança internacionais, com potenciais impactos humanitários e econômicos de amplo alcance.

Ao fazer apelo à interrupção de ações militares ofensivas, o Brasil insta todas as partes a respeitar o direito internacional e condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis. Recordando que a legítima defesa, prevista no artigo 51 da Carta das Nações Unidas, é medida excepcional e sujeita à proporcionalidade e ao nexo causal com o ataque armado, o Brasil se solidariza com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia – objetos de ataques retaliatórios do Irã em 28 de fevereiro.

Ao lamentar a perda de vidas civis, o Brasil expressa ainda solidariedade às famílias das vítimas. Enfatiza, a propósito, a obrigação dos Estados de assegurar a proteção de civis, em conformidade com o direito internacional humanitário.

O Brasil reafirma que o diálogo e a negociação diplomática constituem o único caminho viável para a superação das divergências e a construção de uma solução duradoura, cabendo às Nações Unidas papel central na prevenção e na resolução de conflitos, nos termos da Carta de São Francisco."

Com informações da Agência Brasil