Por: Gabriela Gallo

Vorcaro negocia depoimento enquanto crise do Master avança

Vorcaro não definiu ainda se deporá ou não na CAE | Foto: Divulgação Banco Master

Após desistir de comparecer à sessão da CPMI do INSS marcada para esta segunda-feira (23), o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, passou a negociar uma nova forma de depor no Senado. Convocado para falar na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), ele ainda não confirmou ao relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), se participará da audiência prevista para esta terça-feira (24).

Três cenários estão sobre a mesa: depoimento presencial em São Paulo; participação por videoconferência; ou adiamento para a próxima semana, com ida a Brasília. Vorcaro alega questões logísticas para pedir mais prazo, embora tenha recusado, segundo integrantes da comissão, opções de deslocamento oferecidas — incluindo voo comercial ou transporte pela Polícia Federal (PF).

Blindagem

Na CPMI do INSS, o presidente Carlos Viana (Podemos-MG) reagiu à ausência. “Vorcaro deveria estar aqui prestando contas ao Brasil”, afirmou. Segundo ele, o banqueiro não terá privilégios e a comissão lutará para que o depoimento seja presencial. O presidente da comissão também anunciou que recorrerá da decisão judicial que tornou facultativa a presença do empresário.

O senador declarou ainda que “pessoas muito poderosas” estariam blindando Vorcaro, inclusive dentro do sistema financeiro e de outras instituições. A CPMI do INSS tem prazo regimental até 28 de março para concluir os trabalhos, mas pode pedir prorrogação por mais 60 dias, dependendo de decisão do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).

A investigação da CPMI se conecta ao caso Master porque cerca de 250 mil contratos suspeitos de aposentadorias e pensões teriam sido operados pelo banco e posteriormente suspensos pelo INSS por ausência de comprovação de autorização dos segurados.

Plano bilionário

Paralelamente, o Banco de Brasília (BRB) entregou ao Banco Central (BC) um Plano de Capital para recompor sua liquidez em até 180 dias. Em depoimento à PF, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, estimou em R$ 5 bilhões o rombo potencial ligado às operações com o Master — valor que ainda depende de auditoria externa.

O Governo do Distrito Federal (GDF) encaminhou à Câmara Legislativa projeto de lei autorizando medidas para fortalecer o patrimônio do banco, inclusive com alienação de imóveis públicos e estruturação de fundos imobiliários. A proposta permite aportes diretos, venda de ativos e operações de securitização.

Técnicos do Tribunal de Contas do DF, porém, avaliam preliminarmente que as medidas podem ser insuficientes sem capitalização robusta do controlador. O BRB afirma que já substituiu ou liquidou cerca de R$ 10 bilhões de carteiras ligadas ao Master e sustenta que permanece sólido.

Enquanto Vorcaro decide onde e como falar, o caso Master segue irradiando efeitos no Senado, no STF e na estrutura financeira do Distrito Federal.

STF e PF

No Supremo Tribunal Federal (STF), o cenário também mudou. O ministro Edson Fachin arquivou o pedido de suspeição apresentado contra o ministro Dias Toffoli no âmbito do caso Master, encerrando a discussão formal sobre seu afastamento.

Já o ministro André Mendonça, atual relator do inquérito, reuniu-se com investigadores da Polícia Federal em encontro descrito como técnico e burocrático. A expectativa é que as reuniões entre STF e PF passem a ocorrer com regularidade, em meio à apuração sobre fraudes bilionárias atribuídas ao Banco Master.