Por: Redação

MP pede para TCU investigar presença de autoridades em festas de Vorcaro

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master | Foto: Divulgação/Banco Master

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu à Corte, nesta quinta-feira (19), a abertura de uma investigação para apurar a participação de autoridades federais em festas realizadas na casa de veraneio de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em Trancoso (BA).

O objetivo do pedido é identificar quais autoridades públicas estiveram nos eventos e verificar se algum órgão ou entidade federal ajudou na organização e no custeio das festas. O MPTCU solicita também a adoção de uma medida cautelar para garantir que as investigações se iniciam imediatamente, com a coleta de documentos, informações e depoimentos, para evitar perda de provas e garantir a fiscalização.

A representação é assinada pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado. Segundo ele, notícias veiculadas na imprensa indicam que as festas tinham controle rígido de acesso, com proibição do uso de celulares e instalação de detectores de metais. Ao mesmo tempo, o ex-banqueiro mantinha um sistema interno de câmeras que gravava imagens de todos os cômodos da residência, sob a justificativa de segurança pessoal.

Furtado tomou a decisão após a publicação de uma nota da Reserva Exclusiva, da Revista Liberta, em 22 de janeiro. A notícia cita uma fonte que revelou a existência de vídeos “documentando as festas privadas dadas pelo ex-banqueiro”.

“Altas autoridades dos Três Poderes da República foram a essas festas. Do Poder Executivo, no atual governo, ninguém protagoniza as fitas. Integrantes do ministério de Jair Bolsonaro, no governo passado, sim. À farta. Eram farrinhas privê reunindo homens e mulheres do mercado financeiro, da política e do meio jurídico”, diz a nota da coluna.

Os vídeos em questão estão sob custódia do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, com supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Alta roda

Ainda na representação ao TCU, o subprocurador-geral afirma: "Há indícios de que as imagens captadas nessas festas podem envolver figuras de alta relevância do Poder Judiciário, descritas como 'pica das galáxias' por um dos executivos da Reag DTVM, empresa que administrava fundos e que foi liquidada pelo Banco Central".

Segundo ele, a situação levanta preocupações sobre possíveis irregularidades e impactos na administração pública. Para Furtado, a credibilidade do Judiciário, do Executivo e de outras instituições públicas pode ser afetada caso não haja esclarecimentos.

“É imprescindível que o TCU adote medidas imediatas para identificar as autoridades públicas federais que participaram dos eventos mencionados, incluindo procuradores, magistrados e outros agentes públicos, e para verificar se houve qualquer tipo de envolvimento de órgãos ou entidades federais na promoção ou financiamento dessas festas”, escreve.