O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, oficializou sua saída do União Brasil e agora está no Partido Social Democrático (PSD), mas sem confirmar sua pré-candidatura para 2026. A informação foi confirmada pelo próprio Caiado e pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, na noite desta terça-feira (27), por meio de suas redes sociais. No comunicado da chegada do goiano ao partido, segue agora a expectativa de qual representante o PSD lançará como candidato à presidência da República: Ronaldo Caiado; o governador do Paraná, Ratinho Júnior, ou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. A previsão é que o partido escolha seu representante e firme sua candidatura na disputa pelo Palácio do Planalto em abril.
A ida de Caiado reforça o plano do PSD de ter um candidato próprio à Presidência em outubro. Mas essa não é uma posição unânime no partido, muito amplo e com representantes que tanto fazem oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva como são aliados do presidente. O PSD, inclusive, tem três ministérios no governo.
Inicialmente, a decisão de Caiado em trocar de partido foi motivada pela de apoio do União Brasil à pré-candidatura do governador para a Presidência. O partido inclina-se a apoiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Contudo, em entrevista na manhã desta quarta-feira (28), o goiano defendeu que ele “não será candidato a qualquer custo” e que as três possibilidades do partido são competentes, portanto, caberá ao partido definir.
“Aqui não está com o objetivo de ‘eu vou ser a qualquer custo [candidato]’, uma vaga só. Nós temos três grandes pretendentes. E com isso nós vamos submeter a uma escolha e essa escolha será respeitada por nós e aquele que for o indicado terá o apoio dos demais. Hoje, tem-se um partido em que nós temos a certeza absoluta que teremos um candidato à presidência da República”, disse Caiado em entrevista à Globonews.
Ao Correio da Manhã, o analista político da BMJ Consultores Associados Érico Oyama avaliou que a chegada de Ronaldo Caiado ao PSD representa um fortalecimento da sigla no estado de Goiás. “O Caiado tem uma popularidade muito alta. Provavelmente vai conseguir eleger um aliado como sucessor e a chegada dele no PSD fortalece o partido em Goiás. Podemos observar deputados estaduais que são aliados do Caiado migrando para o PSD, fazendo com que o partido consiga eleger uma bancada representativa de deputados estaduais nas eleições de outubro. Isso pode se refletir, claro, com a eleição de deputados federais pelo estado de Goiás pelo PSD”, ele afirmou.
Repercussão
O Partido Social Democrático é um partido muito amplo e plural, que conta com filiados que variam desde a centro-esquerda, centro, centro-direita e até uma direita conservadora. Diante disso, a chegada de Caiado, que tem um histórico vinculado a uma direita mais conservadora, pode não ser bem interpretado para os filiados do partido como um todo.
Um exemplo é o senador e presidente do Diretório Estadual do PSD na Bahia, Otto Alencar. Ao Correio da Manhã, o parlamentar destacou que respeita o agora colega de partido. Contudo, os posicionamentos de Ronaldo Caiado não se alinham com o que Alencar defende.
“Caiado tem uma posição muito radical na direita. Minha posição é de centro-esquerda, ou seja, a posição dele não combina, absolutamente, com o que eu penso”, afirmou o senador.
“Aqui na Bahia nós vamos seguir apoiando à reeleição do presidente Lula. O palanque hoje do PSD na Bahia é de Lula. Inclusive, [Gilberto] Kassab [presidente nacional do partido] me ligou há uma semana, salientando que poderia existir essa possibilidade da filiação do Caiado ao PSD. Foi o próprio Kassab quem me disse que não haveria qualquer alteração quanto ao meu apoio seguir com Lula, já que aqui na Bahia a direção do partido é minha”, detalhou Otto Alencar.
Para a reportagem, o analista político da BMJ ressaltou que essa “amplitude ideológica” não se limita ao PSD, também presente “em outros partidos de centro, como o MDB e o Republicanos”. Ele detalhou que essa variação depende da região do país.
“O PSD no Sul é mais de centro-direita, assim como no Sudeste. Tanto é que o [Gilberto] Kassab tem uma secretaria relevante no governo de São Paulo. No Norte e no Nordeste, tende a ser um pouco mais para centro, talvez até centro-esquerda”, detalhou Érico.