Poucas horas depois de dar uma entrevista ameaçando deixar o União Brasil caso o partido não apoiasse sua intenção de ser candidato à Presidência República, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou na noite desta terça-feira (27) que está se filiano ao PSD, partido comandado por Gilberto Kassab.
Em entrevista à rádio Nova Brasil, na manhã de terça, Caiado dissera que poderia deixar o União para manter sua candidatura. Ao ingressar, porém, no PSD, o governador mudou um pouco o discurso.
Ao posar ao lado de Kassab e dos também governadores Ratinho Jr, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, Caiado afirmou que a mudança de partido integra-se à ideia de ter uma candidatura alternativa ao senador Flávio Bolsonaro do campo de centro e de direita nas eleições presidenciais deste ano.
Segundo afirmou, os três agora são pré-candidatos, e quem, ao final, sair como candidato do PSD terá o apoio dos outros dois.
"Aqui não tem o interesse pessoal de cada um", declarou Caiado. Aquele que for escolhido levará essa bandeira de esperança e de resgate".
"Sou grato ao União Brasil, mas agora é hora de dar um passo adiante", declarou Caiado.
Pela manhã, Caiado dissera já ter comunicado aos comandantes do União Brasil sua intenção de sair. "Eu já falei com o presidente do partido [União Brasil, Antônio] Rueda, com o ACM Neto [vice-presidente do partido], e já disse a eles que entendo a dificuldade do partido, só que nessa situação eu já estou buscando também uma alternativa para ter outro partido para poder me candidatar [à Presidência]", declarou Caiado.
"Eu irei até o fim. Estou em contato com outros partidos, o entendimento é de nós avançarmos para a nossa campanha e há algo a ser resolvido nos próximos dias", completou o goiano, que não detalhou àquela altura suas conversas com o PSD.
Questionado sobre as chances de Flávio Bolsonaro herdar os votos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e consequentemente sair na frente da disputa, Caiado destacou que ainda é cedo para cravar uma força do adversário presidencial – sobre quem ele reiterou ter muito respeito –, mesmo com a benção do ex-presidente.
"Ninguém nega o prestígio de Jair Bolsonaro. Mas uma coisa é ele candidato, outra coisa é o candidato indicado dele. São coisas distintas. Por mais prestígio que a pessoa tenha, não consegue transmitir 100% dos votos", afirmou o governador.