Após uma série de desentendimentos internos provocados pela migração do ex-vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) para concorrer a uma vaga de senador por Santa Catarina, os grupos de centro e direita no estado racharam.
Para acomodar Carlos Bolsonaro na sua chapa, o governador Jorginho Mello (PL), que é candidato à reeleição, teve que fazer uma série de concessões. Como, porém, as vagas são limitadas, o governador não está conseguindo manter a aliança que imaginava inicialmente. O último movimento resultado na saída do MDB do governo local, com a possibilidade de apresentar uma candidatura alternativa.
No começo desta semana, o MDB catarinense se reuniu e comunicou que o partido deixará o governo local e que lançará uma chapa para concorrer contra a reeleição de Jorginho Mello.
Inicialmente, o governador tinha definido que seu vice na chapa para o governo do estado seria o então secretário de Agricultura e deputado federal licenciado Carlos Chiodini, que é o terceiro vice-presidente do MDB.
Contudo, após Mello comunicar que seu vice de chapa na pré-candidatura a reeleição será o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como adiantou o Correio da Manhã, o Movimento Democrático Brasileiro optou pela saída do governo. O partido também não fora comunicado pelo governador da escolha de trocar a chapa.
Apesar de ainda não ter uma chapa definida para o governo catarinense, vale destacar que o MDB é o único partido com representantes em todos os 295 municípios de Santa Catarina.
Entenda
Inicialmente, a articulação era que Jorginho Mello concorresse para sua reeleição ao governo de Santa Catarina e lançasse o senador Espiridião Amin (PP-SC) e a deputada federal Caroline De Toni (PL-SC) como seus companheiros de chapa para o Senado.
Contudo, após o nome de Carlos Bolsonaro aparecer como uma alternativa, o governador recalculou sua estratégia e cogitou lançar para o Senado Espiridião Amin e Carlos Bolsonaro, excluindo Caroline De Toni. Acontece, porém, que De Toni lidera as pesquisas de intenção de voto. E conta com o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Um último levantamento da Neokemp Pesquisas, divulgado em dezembro de 2025, apontou De Toni como a candidata ao Senado com maior intenção de voto, seguida de Carlos e Esperidião Amin.
Com a possibilidade de não concorrer ao Senado, a deputada federal informou que sairia do PL para se aliar ao partido Novo e concorrer para a vaga no Senado pela sigla. Para não perder a aliada, Jorginho Mello realizou uma reunião com o Partido Novo na semana passada e definiu Adriano Silva – que inicialmente era contrário a candidatura de Carlos Bolsonaro, mas depois voltou atrás – como seu vice na chapa para a reeleição. Com isso, seus candidatos ao Senado são Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni. Portanto, além do rompimento com o MDB, o senador Esperidião Amin também ficou de escanteio.
Rompimento
Ao Correio da Manhã, o mestre em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Renato Ribeiro de Almeida avaliou que esse desentendimento entre as lideranças catarinenses ilustram o “atual processo de reorganização do campo político situado à direita” no país.
“Até recentemente esse espectro esteve fortemente associado à liderança do ex-presidente Jair Bolsonaro, que hoje enfrenta restrições judiciais e limitações à sua atuação política. Na ausência de um sucessor nacional claramente consolidado, observa-se a ascensão de múltiplas lideranças, especialmente regionais, ainda sem convergência em torno de um nome que exerça papel de coordenação nacional”, disse o especialista.
A reportagem ainda conversou com o cientista político Isaac Jordão, que detalhou que, na atual conjuntura, “o bolsonarismo está tentando emplacar posições-chave em cargos federais e para isso eles estão se distribuindo ao longo do território, pegando estados que são propensos a votar neles”.
Jordão ainda reiterou que “esse racha vai se reproduzir principalmente nos estados onde o bolsonarismo é muito forte”.
“Existe uma dificuldade da direita hoje de se desvincilhar do bolsonarismo. Eles acreditam que não é possível ter votos suficientes para se eleger abrindo mão dos votos do público abertamente bolsonarista”, disse o analista político ao Correio da Manhã. “Santa Catarina é só o exemplo mais claro do fenômeno que vai se repetir bastante até junho, quando as chapas que vão concorrer tiverem que estar definidas”, ele completou.
Contudo, o especialista em Direito Eleitoral Renato Ribeiro ponderou que a situação “é um processo natural de recomposição partidária, no qual também ganham protagonismo legendas de centro”, não necessariamente alinhadas ao bolsonarismo.
“Nesse contexto, partidos como o MDB podem optar tanto por lançar candidaturas próprias quanto, em determinados cenários, apoiar projetos mais próximos do governo federal, conforme suas estratégias regionais e a leitura do ambiente político local, afirmou Ribeiro.