Por: Gabriela Gallo

Moraes determina que PMDF entregue relatório sobre rotina de Bolsonaro

Moraes quer todos os detalhes da rotina na prisão | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) tem até cinco dias, a contar a partir desta segunda-feira (26), para apresentar um relatório detalhado de como está a rotina do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no 19º Batalhão da PMDF dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como Papudinha. Com isso, os agentes de segurança responsáveis têm até o final desta semana para encaminhar o documento.

O relatório precisa detalhar, desde o primeiro dia em que Bolsonaro chegou na Papudinha (15 de janeiro), as visitas que o ex-presidente recebeu, sejam de parentes, aliados, seus advogados e os médicos que o acompanham desde seus procedimentos cirúrgicos.

Ainda sobre os problemas de saúde do ex-chefe de Estado, também precisam constar no relatório as consultas e atendimentos médicos realizados, além das sessões de fisioterapia – recomendadas pelos médicos do ex-presidente para que sejam realizadas no período noturno – e demais atividades físicas. Além disso, também precisam constar no documento elaborado pelos agentes penitenciários leituras de livros e outras eventuais ocorrências. Todas as informações precisam contar data e horário.

Desde o dia 15, Jair Bolsonaro cumpre pena no 19º Batalhão da PMDF dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como Papudinha. Antes, ele estava detido na Superintendência da Polícia Federal (PF). Contudo, após familiares e advogados criticarem que o lugar onde o detento estava não tinha as condições necessárias para atender às demandas de saúde, ele foi transferido.

Preso há dois meses, Jair Bolsonaro foi condenado por integrar o núcleo principal de um plano de golpe de Estado. Além do golpe para tomar o poder, a trama golpista também previa o plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro do STF e então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Alexandre de Moraes. Ele cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão.

Prisão domiciliar

A depender do que for detalhado pelos agentes, os aliados do ex-presidente têm esperança de que Bolsonaro tenha a prisão convertida para o regime domiciliar. Vale destacar que, horas antes de Bolsonaro ser transferido para a Papudinha, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se encontrou presencialmente com Alexandre de Moraes e o decano do Supremo, ministro Gilmar Mendes. No encontro, ela pediu para que o ex-presidente fosse transferido para prisão domiciliar alegando sua idade avançada (em março, ele completará 71 anos) e seus problemas de saúde.

Michelle ainda citou o ex-presidente Fernando Collor de Mello, preso no ano passado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em abril de 2025, Collor foi preso no presídio Baldomero Cavalcanti de Oliveira, em Maceió (AL), e em maio do mesmo ano, ele teve a prisão convertida para domiciliar devido a problemas de saúde crônicos como apneia do sono, doença de Parkinson e transtorno afetivo bipolar, além de sua idade avançada (75 anos). Michelle questionou Moraes se Bolsonaro não poderia passar pelo mesmo procedimento e o magistrado reiterou que precisaria primeiro analisar o relatório médico de Jair Bolsonaro.

No encontro, ela detalhou cronologicamente para os ministros sobre os problemas de saúde do marido, os remédios que ele precisa tomar e os possíveis efeitos colaterais dos medicamentos.