Por: Gabriela Gallo

Marinho assume campanha de Flávio

Marinho desiste de candidatura para ajudar Flávio | Foto: Andressa Anholete/Agência Senad

Apesar de ainda poder mudar de ideia, o anúncio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de que concorrerá à reeleição ao governo do estado e não à Presidência da República movimenta a campanha eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Na última semana, o senador Rogério Marinho (PL-RN) desistiu de concorrer ao governo do Rio Grande do Norte para coordenar a campanha política de Flávio. A medida visa fortalecer a imagem de Flávio para ampliar o palanque político do senador na região Nordeste. Marinho afirma que sua decisão decorre de um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Neste momento difícil, ele [Jair Bolsonaro] me pede que me some à luta de seu filho, Flávio, para que juntos possamos resgatar o país. A gratidão, a solidariedade e a lealdade a Jair Bolsonaro e ao que ele representa definem a minha decisão. Abro mão da minha candidatura e do sonho de governar o Rio Grande do Norte para me somar à luta de milhões de brasileiros que compreenderam que derrotar o PT é uma necessidade histórica de salvar o Brasil”, manifestou Marinho em uma nota oficial divulgada em suas redes sociais.

Ao Correio da Manhã, o professor de políticas públicas do Ibmec Brasília Eduardo Galvão destacou que o movimento do senador potiguar “diz menos sobre vaidade pessoal e mais sobre cálculo político”.

“Ao abrir mão de uma disputa estadual relativamente confortável no Rio Grande do Norte, ele assume a tarefa mais difícil do campo bolsonarista hoje, que é tornar uma candidatura nacional viável em regiões onde o sobrenome Bolsonaro encontra forte resistência, especialmente no Nordeste”, explicou o professor.

Em dezembro, pesquisa Real Time Big Data mostrava Marinho empatado, dentro da margem de erro, na liderança para o governo potiguar. Ele, porém, aparecia em segundo. O primeiro era o prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra (União Brasil), com 36%. O senador tinha 34%.

Estratégia

A reportagem ainda conversou com a especialista em Marketing Político e Estratégia e também CEO da AIS Agency (Agency of Intelligent Strategies) Eliz Grigoletti, que avaliou que a estratégia de Marinho deve partir de um “diagnóstico objetivo: não é realista imaginar que Rogério Marinho consiga converter toda a rejeição histórica do bolsonarismo no Nordeste”. Diante disso, ela reiterou que “o papel da articulação política não é virar o jogo, mas mitigar perdas e reduzir resistências”.

“O reconhecimento que Rogério Marinho construiu na região não veio da ideologia, do confronto ou da retórica inflamada, mas de um perfil gestor, técnico e focado em entrega, especialmente em áreas sensíveis ao Nordeste, como infraestrutura, turismo, construção civil e desenvolvimento regional. Foi essa postura, associada à capacidade de destravar projetos, seu diálogo efetivo com a municipalidade que consolidou sua imagem como uma liderança respeitada – inclusive fora da bolha bolsonarista”, ela destacou ao Correio da Manhã.

Na mesma linha, Eduardo Galvão ponderou que a principal estratégia de Marinho será uma campanha menos ideológica e mais pragmática. “Marinho deve apostar em agendas do dia a dia, custo de vida, emprego, segurança, políticas sociais, e em muita articulação local, usando prefeitos, lideranças regionais e palanques estaduais como pontes de legitimidade. Sem isso, a campanha corre o risco de virar apenas um circuito de viagens sem conversão eleitoral”, destacou o professor de políticas públicas.

Eliz Grigoletti destacou que o sobrenome “Bolsonaro” pode ser tanto uma vantagem quanto uma desvantagem na campanha de Flávio, a depender de como ela será conduzida. Ela ainda detalhou que a tendência é que, em estados como Alagoas, Paraíba o Rio Grande do Norte, “Flávio pode sair do campo da derrota automática para o campo da disputa real”. Justamente por isso, segundo a especialista em marketing político, “a escolha de Marinho como articulador político pode realmente fazer a diferença nas urnas e ganhar jogo”.

Contudo, ela pondera que em estados como Piauí, Maranhão, Bahia e Ceará a estratégia deve ser de mitigar a rejeição. “O Nordeste representará mais do que uma possibilidade de vitória, é a grande aposta para sair vencedor nessas eleições”, reiterou Grigoletti.