Por: Rudolfo Lago -BSB

Atlas/Intel aponta possível vitória de Lula, apesar da rejeição

Lula vence em todos os cenários testados pela Atlas/Intel | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mirando na corrida presidencial para 2026, um levantamento da Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (21), apontou que o cenário político está se calcificando e que, caso as eleições acontecessem na atual conjuntura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria no segundo turno contra todos os possíveis adversários até o momento e estaria perto de ser reeleito já no primeiro turno.

A pesquisa entrevistou 5.418 pessoas distribuídas proporcionalmente entre as cinco regiões do país, via internet. A coleta das respostas ocorreu entre os dias 15 de janeiro a 20 de janeiro. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos.

Cenários

Em um primeiro cenário hipotético amplo para o primeiro turno, o presidente Lula tem 48,4% das intenções de votos. Em seguida vem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 28% das intenções de votos. O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem 11% dos votos.

E o petista segue com o percentual de 48% das intenções de votos em todos os demais cenários de primeiro turno, independentemente de quem seja seu principal adversário. O mesmo vale para qualquer disputa presidencial para segundo turno, inclusive em um cenário com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – que está inelegível e preso na Papudinha por tentativa de golpe de Estado. Em uma disputa contra Jair Bolsonaro, Lula tem 49% das intenções de votos e o ex-presidente 46%.

Em um segundo turno entre Lula e o primogênito do clã Bolsonaro, Lula segue com 49% das intenções de votos e Flávio Bolsonaro fica com 45%. Essa porcentagem se repente para disputas entre o petista e o governador de São Paulo e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro (PL). O cenário é semelhante com os demais governadores adversários na disputa presidencial. Em um segundo turno entre Lula e os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), o petista teria 49% das intenções de votos e o goiano 39%. Os mesmo números se replicam para uma disputa entre os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e do Paraná, Ratinho Júnior (PSD).

Rejeição

Na mesma proporção em que os eleitores de Lula demonstram certa fidelidade na escolha do candidato para ocupar a cadeira da Presidência, o mesmo se aplica aos eleitores que rejeitam o petista. Segundo o levantamento, o petista tem a rejeição de metade dos eleitores (49,7%). Ele está no mesmo nível que o ex-presidente Jair Bolsonaro (50%). E herdando o sobrenome Bolsonaro, o senador Flávio e a ex-primeira-dama Michelle também enfrentam alta rejeição, com, respectivamente, 47,4% e 44,9%.

Uma surpresa no levantamento é uma possível candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que deve deixar o governo federal em breve para apoiar na coordenação da candidatura à reeleição de Lula. Ainda que a oposição tenha tentado emplacar o apelido ao ministro de “Taxad”, (referente a uma crítica da gestão do ministro em aumentar a tributação em determinados setores), o ministro apresenta menor nível de rejeição dentre os possíveis candidatos (36,9%). Em um eventual primeiro turno, Haddad teria vantagem dos principais nomes da direita, com 41,5% de votos contra 35,4% de intenção de votos para Flávio e, em uma disputa somente com Tarcísio, 42% para Hadad e 28,9% de votos para Tarcísio.

Caminhada

Enquanto ainda seguem as expectativas das eleições, parlamentares da oposição se articulam em protestos contra a prisão de Jair Bolsonaro e a saída de Lula da presidência. Nesta segunda-feira (19), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) iniciou uma caminhada em mobilização favorável ao ex-presidente Bolsonaro e contra a prisão dos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

A proposta é uma caminhada de 230 quilômetros, partindo de Paracatu (MG), até Brasília. Ao menos 25 parlamentares e lideranças políticas aderiram à caminhada, dentre eles, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) e os deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO), Zé Trovão (PL-SC), André Fernandes (PL-CE) e Carlos Jordy (PL-RJ). Até o final do dia desta quarta-feira (21), no terceiro dia da caminhada, os manifestantes andaram 106 km e chegaram a Cristalina, em Goiás.