Por: Gabriela Gallo

Em trocas ministeriais, próximos nomes devem ser técnicos

Andrei Rodrigues é cotado para assumir Segurança | Foto: José Cruz/Agência Brasil

Com a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública, na última semana, aguarda-se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar o novo ministro da pasta. Até lá, quem está no cargo é o secretário-executivo do Ministério, Manoel Carlos de Almeida Neto, agora ministro interino da pasta.

Lewandowski foi o primeiro a deixar o governo neste ano e a previsão é que o próximo a sair seja o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na intenção de cooperar na campanha presidencial de Lula.

A legislação determina que ministros têm até o dia 4 de abril (seis meses antes das eleições) para saírem do governo e terem a chance de concorrer para outros cargos políticos, a maioria para o poder Legislativo.

A expectativa é que, além de Lewandowski e Haddad, ao menos outros 20 ministros deixem o governo para disputar a corrida eleitoral neste ano. E a previsão é que as próximas nomeações para ocuparem os cargos, que ficarão somente até o final do ano, sejam indicações técnicas e não políticas.

Ao Correio da Manhã, o cientista político Isaac Jordão explicou que essas trocas ministeriais em ano eleitoral são comuns, tornando-se “um padrão no período pré-eleitoral” e que “normalmente não se escolhem outros políticos pra assumir, justamente porque todo mundo quer ir para a eleição”.

“Quando se diz perfil técnico não é necessariamente um servidor público. Pode ser um agente político, mas um que conheça do setor ou já trabalhou no setor, para tocá-lo normalmente para entregar o ministério no final do governo”, completou Jordão.

Para a reportagem, a cientista política e especialista em Legislativo da BMJ Consultores Associados Letícia Mendes completou que “a decisão de nomes mais técnicos é o melhor caminho”.

“Porque são pessoas que não têm tanto interesse de concorrer nas disputas eleitorais e, com isso, o governo busca realocar e também não se comprometer com determinadas políticas e com determinados nomes ou articulações”, afirmou Mendes ao Correio da Manhã.

Justiça e Segurança

Para além de indicar um sucessor a Lewandowski, Lula eventualmente tenha que indicar dois nomes.

Isso porque, nos bastidores, o presidente avalia separar o Ministério da Justiça e Segurança Pública em dois ministérios diferentes. Contudo, ele aguarda o Congresso Nacional aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria o Sistema Único de Segurança Pública, já que, como explicou Isaac Jordão, a PEC cria “as condições para a União participar mais ativamente nas políticas de segurança pública”.

Questionada pela reportagem, Letícia Mendes avalia que os principais nomes cotados para assumir um possível Ministério da Segurança Pública são o ex-ministro da Justiça Tarso Genro, a deputada federal delegada Adriana Arccosi (PT-GO), o secretário de Segurança Pública do Piauí Francisco Lucas (conhecido como Chico Lucas) e o atual diretor-geral da Polícia Federal (PF) Andrei Rodrigues. E, apesar de todos serem uma possibilidade, ela destaca as altas chances do diretor da PF para ser indicado ao cargo.

“Ele é um dos nomes de confiança do presidente Lula, ganhou muita projeção desde quando assumiu a Polícia Federal no início do mandato do presidente Lula e, por ter um conhecimento mais técnico e também ter um olhar bem aprofundado na pauta de combate ao crime organizado, e em determinadas pautas mais sensíveis, tem esse protagonismo [para uma indicação]”, detalhou a especialista em Legislativo.