Após sofrer uma queda, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realizou uma série de exames médicos para averiguar seu quadro de saúde, nesta quarta-feira (7). Ele se deslocou para o Hospital DF Star, em Brasília, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes publicar no mesmo dia uma decisão autorizando seu deslocamento ao hospital.
Bolsonaro realizou os exames médicos e depois retornou para sua cela na Superintendência da Polícia Federal (PF) no mesmo dia. A equipe médica do ex-presidente confirmou que ele teve um traumatismo craniano leve, sem indicação de nenhuma intervenção mais complexa.
“Foi evidenciado nos exames de imagem leve densificação de partes moles na região frontal e temporal direita, decorrente do trauma, sem necessidade de intervenção terapêutica. Deverá seguir cuidados clínicos conforme definição da equipe médica assistente”, declara o boletim médico de Bolsonaro, assinado pelo cirurgião geral Claudio Birolini.
Jair Bolsonaro, que está preso na PF desde novembro do ano passado por tentativa de golpe de estado, teve uma queda em que ele bateu a cabeça na terça-feira (6). Com ele apresentando quadros de tontura e desequilíbrio, inicialmente, especulava-se que ele teria caído da cama. Porém, em entrevista à imprensa, o médico Brasil Caiado informou que agora se acredita que ele levantou da cama, tentou caminhar e caiu. Ele realizou os exames de tomografia computadorizada de crânio, ressonância magnética de crânio e eletroencefalograma.
“Há uma suspeita inicial e nós já havíamos imaginado, que possa ser a interação de medicamentos. O presidente faz uso de vários medicamentos para tratamento da crise de soluços. Se esses quadros forem recorrentes, colocam o presidente em uma zona de maior risco”, afirmou o médico de Bolsonaro.
CFM
Os exames de Bolsonaro foram solicitados pelos advogados do ex-presidente na terça, mas inicialmente foram negados por Moraes por não ter identificado necessidade de remoção hospitalar imediata. A defesa recorreu da decisão apresentando pedidos médicos e então o magistrado acatou o pedido. Com o caso, o Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou uma nota nesta quarta informando que, após receber denúncias de aliados de Bolsonaro, determinou ao Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal que instaure “sindicância para apuração dos fatos”.
Moraes decretou a nulidade da decisão. “A ilegalidade e ausência de competência correicional do CFM em relação à Polícia Federal é flagrante, demonstrando claramente o desvio de finalidade da determinação, além da total ignorância dos fatos”, declara a decisão do ministro.
Prisão Domiciliar
Após a situação, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o filho de Jair Bolsonaro, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL), voltaram a defender durante uma entrevista coletiva que a prisão de Bolsonaro precisa ser convertida para domiciliar, já que outras situações envolvendo a saúde do ex-presidente podem voltar a acontecer.
“Vamos reforçar [o pedido de prisão domiciliar]. Até porque não tem justificativa para ele estar preso. Não menosprezando o quadro de saúde do ex-presidente Collor, mas ele foi liberado porque ele tem apneia do sono e o meu marido tem outros comorbidades que falam que ele precisa ter esse acompanhamento [médico]”, disse Michelle.
“Ele deveria estar em casa, não numa solitária com 70 anos e com vários problemas de saúde que precisam ser administrados, tanto por alimentação quanto por medicação”, ela completou.