Por: Beatriz Matos

Moraes nega ida de Bolsonaro ao hospital após queda na prisão

Bolsonaro sofreu uma queda enquanto dormia | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O que seria mais um dia de visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou novos contornos nesta terça-feira (6), após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgar nas redes sociais que o marido sofreu uma queda enquanto dormia, na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília. Segundo relatos médicos, Bolsonaro teria se sentido mal durante a madrugada, caído na cela e batido a cabeça, o que motivou pedidos por atendimento hospitalar externo.

De acordo com o cirurgião Claudio Birolini, o ex-presidente apresentou um traumatismo cranioencefálico (TCE) leve. Esse tipo de lesão ocorre após impacto na cabeça, geralmente sem danos estruturais graves, e costuma ter recuperação do estado mental em até 24 horas, mas exige acompanhamento médico por risco de evolução do quadro.

Atendimento inicial

Em nota, a Polícia Federal informou que Bolsonaro relatou a queda à equipe de plantão e foi avaliado por um médico da corporação. Segundo a PF, foram constatados apenas ferimentos leves, sem indicação imediata de encaminhamento hospitalar. Inicialmente, a instituição chegou a afirmar que havia autorizado a remoção ao Hospital DF Star, a pedido do médico particular do ex-presidente.

No entanto, em atualização divulgada minutos depois, a Polícia Federal esclareceu que qualquer eventual encaminhamento ao hospital dependeria de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que Bolsonaro está sob custódia por decisão judicial.

Pressão pública

Nas redes sociais, Michelle Bolsonaro afirmou que não se sabe o horário exato da queda e que o marido não lembra quanto tempo ficou desacordado. Ela também disse que só conseguiu vê-lo cerca de uma hora depois, porque ele estava recebendo atendimento médico.

A ex-primeira-dama passou a pressionar publicamente pela liberação da remoção hospitalar e chegou a informar que Bolsonaro seria levado para exames externos.

A defesa formalizou o pedido ao STF, alegando urgência e gravidade do quadro clínico, com solicitação de autorização imediata para exames clínicos e de imagem, sob escolta policial.

Michelle chegou a aguardar no estacionamento do hospital, mas deixou o local após a decisão do Supremo e retornou à Superintendência da PF.

Decisão STF

O ministro Alexandre de Moraes negou o pedido da defesa. Na decisão, afirmou que a avaliação da Polícia Federal não identificou necessidade de remoção hospitalar imediata e que, portanto, não havia justificativa para o deslocamento emergencial do custodiado.

Moraes destacou que a defesa tem direito à realização de exames médicos, desde que previamente agendados, com indicação específica e comprovação da necessidade clínica.

Nova ofensiva

Após a negativa, a defesa apresentou novo pedido ao Supremo, anexando laudo médico que descreve quadro compatível com traumatismo craniano, síncope noturna associada à queda, possível crise convulsiva a esclarecer, oscilação transitória de memória e lesão cortante na região temporal direita. O documento recomenda, de forma expressa, a realização urgente de tomografia computadorizada, ressonância magnética e eletroencefalograma.

Bolsonaro, de 70 anos, está preso desde 22 de novembro de 2025. Em dezembro, deixou temporariamente a custódia para cirurgia de hérnia inguinal bilateral e tratamento de soluços persistentes, incluindo bloqueio do nervo frênico e procedimento de reforço. Também passou por endoscopia, que apontou esofagite e gastrite. Em 1º de janeiro de 2026, recebeu alta do Hospital DF Star e retornou à prisão.

Durante a reclusão, a defesa também protocolou reclamações sobre ruído contínuo do sistema de ar-condicionado da unidade, alegando prejuízos ao descanso e à saúde do ex-presidente.