Por: Jorge Vasconcellos

Flávio Bolsonaro pede que EUA bombardeiem embarcações com drogas no Rio

Senador Flávio Bolsonaro | Foto: Márcio Curvello

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sugeriu que os Estados Unidos ataquem barcos supostamente carregados com drogas no Rio de Janeiro.

Nesta quinta-feira (23), em publicação na rede social X, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) respondeu, em inglês, a uma postagem do secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, que anunciou o ataque a uma embarcação no Oceano Pacífico.

"Que inveja", disse o senador, que também compartilhou a publicação de Hegseth. Ele disse ainda que "ouvi dizer" que há barcos semelhantes no Rio.

“Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil com drogas. Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?”, afirmou o senador.

Flávio faz essas declarações dias depois de retornar dos Estados Unidos, onde se encontrou com o seu irmão e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que conspira sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras junto ao governo do presidente Donald Trump.

Ameaça atômica 

Essa é a segunda vez em que Flávio Bolsonaro sugere que os Estados Unidos ataquem o Brasil. Em 10 de julho, ele disse que, caso o Congresso não aprovasse o projeto da anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado, o governo Donald Trump poderia lançar bombas atômicas sobre o território brasileiro.

"Cabe a nós termos a responsabilidade de evitar que caiam duas bombas atômicas aqui no Brasil para depois anunciarmos que vamos fazer anistia", afirmou.

Novo foco

Após realizarem vários ataques a embarcações no Mar do Caribe, perto da costa da Venezuela, os Estados Unidos fizeram os dois primeiros bombardeios no Oceano Pacífico, deixando 5 mortos. O primeiro ocorreu na terça (21), matando duas pessoas. O segundo foi na quarta-feira (22), com três mortes. As ofensivas ocorreram perto da costa da Colômbia, dias depois de Donald Trump chamar o presidente colombiano, Gustavo Petro, de traficante de drogas.

Segundo Pete Hegseth, a embarcação atacada na terça tinha dois narcotraficantes a bordo. "Ontem, sob a direção do presidente Trump, o Departamento de Guerra conduziu um ataque cinético letal a uma embarcação", afirmou o secretário no X. "Havia dois narcoterroristas a bordo durante o ataque, realizado em águas internacionais. Ambos os terroristas foram mortos, e nenhuma força americana foi ferida neste ataque."

Sem provas

Até o momento, autoridades americanas ofereceram poucos detalhes sobre as identidades dos mortos nos ataques ou a quais organizações criminosas eles supostamente pertenciam.

Essas ações militares são criticadas por governos da região, opositores e especialistas jurídicos, que não enxergam legalidade na ofensiva. O direito internacional não permite ataques contra pessoas que não ofereçam perigo iminente a não ser que se tratem de combatentes inimigos —o que seria apenas assassinato.