Por: Rudolfo Lago

Lula e Bolsonaro disputam cena política no domingo

Lula: governo incomoda quem acha que é dono do mundo | Foto: Reprodução TV

Vestindo uma brilhante camisa vermelha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou pouco antes do meio-dia deste domingo (3) ao auditório do Brasil 21 em Brasília, onde aconteceu o Encontro Nacional do PT que oficializou Edinmho Silva como o novo presidente do partido. Diversos ministros do governo também participaram do encontro.

Ao mesmo tempo, em 20 capitais do país aconteceram atos em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Os atos pró-Bolsonaro tiveram a ausência do próprio ex-presidente que, cumprindo restrições impostas por Moraes e usando tornozeleira eletrônica, optou por não correr maiores riscos. As restrições impostas impedem Bolsonaro de sair de casa nos fins de semana.

Sua exposa, Michelle Bolsonaro, participou do ato em Belém, capital do Pará. Michelle subiu o tom contra Lula, a quem, no ato, chamou de “cachaceiro sem-vergonha”.

“Lula está manando nossas riquezas para fora”, disse Michelle. “Isso não vamos aceitar”.

Soberania

O ataque de Michelle foi claramente uma estratégia de resposta ao tom usado por Lula e pelo PT, depois do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O tom usado por Lula e outros ministros e petistas em Brasília foi exatamente de defesa da soberania, ameaçada pelas ações de Trump.

Em seu discurso, Lula citou uma frase dita pelo escritor e compositor Chico Buarque. “Eu gosto do PT porque não fala fino com os Estados Unidos nem fala grosso com a Bolívia”, discursou Lula. O presidente mencionou os diversos acordos com outros países que, segundo ele, foram feitos. De acordo com Lula, foram abertos 388 novos mercados para o Brasil. “Abrimos um portão grande, onde todo mundo quer negociar com o Brasil. Isso começa a assustar as pessoas que acham que são donas do mundo”.

Lula, porém, reconheceu dificuldades, que estariam sendo superadas. “As pesquisas não estão erradas”, disse o presidente, mencionando dificuldades na popularidade do governo. “O que fizemos não chegou para ninguém. É muito lançamento dentro do Palácio e pouco na rua”.

Lula criticou a divisão entre tendências dentro do PT. Segundo ele, “um monte de tendência pessoal, um monte de picuinha”, disse pregando a necessidade de união.

O presidente mencionou as dificuldades de relacionamento no Congresso sendo o PT e o governo minoria. “Se depender só de nós, não se aprova nada”, afirmou. Mas lembrou que, com muita conversa, conseguiu aprovar a reforma tributária. “Cedendo muita coisa. Se não for assim, não se faz política”, afirmou. “Não preciso saber se o presidente da Câmara gosta de mim. Preciso entender que ele foi eleito. E que eu preciso dele mais do que ele de mim”.