Por: Richard Stoltzenburg - PETR

Projeto promove encontros e risos em meio à fragilidade de pacientes

O projeto é composto por artistas dos coletivos Palhastônicos e Andança | Foto: Divulgação

Por Leandra Lima

Alívio significa diminuição da dor, peso, angústia ou outra carga pesada sentida por um ser humano. Ele traz uma sensação de leveza, tranquilidade, conforto, abrindo um espaço até para o desabafo e sorrisos, que por sinal é uma das janelas mais poderosas que existem, já que ele é o responsável por equilibrar as emoções e promover conexões entre as pessoas.

"Receber um sorriso é mágico", essa ideia reflete as ações do projeto "Acalanto - Risos, Afetos e Encontros", que leva, por meio da palhaçaria, alegria e diversão para pacientes em alas hospitalares, como uma forma de aliviar, nem que seja por alguns minutos de interação, o sofrimento dos que se encontram nas clínicas de recuperação.

"O projeto Acalanto vem trazer muita alegria e amor no coração. O nosso objetivo é levar um pouquinho de carinho, de leveza para quem está passando por um momento difícil", contou a palhaça Flor, interpretada pela atriz Andressa Hazboun.

O projeto é composto por artistas dos coletivos Palhastônicos e Andança. Fazem parte da ação os artistas: Andressa Hazboun (palhaça Flor), Dalus Gonçalves (palhaço Tunico), Madson José (palhaço Cacareco), Léo Gavioli (palhaço Mortadela) e Renata Alves (palhaça Marmelada).

Sensibilidade

A palhaçaria é a arte que utiliza o humor, o cômico e outras ferramentas para entreter e causar reflexões sociais. Dentre as coisas extraordinárias do fazer está o riso, que é considerado pela ciência como um anestésico da dor, por conter endorfina e serotonina. O ato de rir também está entrelaçado à felicidade, em casos específicos, e à esperança, algo bem significativo no ambiente hospitalar. Por isso deve ser tratado com muita sensibilidade para que, quando chegar no espectador, ele sinta de forma genuína.

"Temos que ter um olhar muito aguçado para entender o que aquela pessoa está precisando naquele momento. Às vezes a pessoa quer rir, às vezes ela só quer uma música baixinha, ou às vezes quer o silêncio e só a nossa presença ali do lado", expressou o palhaço Tunico, interpretado pelo ator Dalus Gonçalves.

Para os artistas, os encontros significam uma troca positiva. "É muito bom estar em contato com os pacientes, familiares e as equipes de saúde. Levar a cultura para dentro desses espaços que, às vezes, são tão áridos, é um presente. A gente vem para dar, mas recebe muito mais", relataram os palhaços.

Corpo presente

Para as ações, os palhaços utilizam, além do nariz vermelho e da maquiagem clássica, jalecos brancos com o logo do projeto e os nomes bordados. Reforçando a ideia de "doutor palhaço" que atua no ambiente hospitalar, facilitando a conexão com as pessoas, respeitando o espaço de cada indivíduo.

"Quem quer brincar, brinca. Quem quer ficar quietinho, fica. Cada um tem a liberdade para escolher. Quando vamos para experimentações, estamos abertos para o encontro, para o que ele trouxer. Então tem gente que está querendo dançar, tem gente que está querendo assistir, tem gente que gosta de mágica. Nos adaptamos para atender cada um, sempre com o corpo presente", relataram os artistas.

Organização

A ação sociocultural carrega um significado que remete ao cuidado. Ela foi inspirada em projetos como Doutores da Alegria e Enfermaria do Riso, coordenado por Ana Achcar na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), que ganhou o prêmio Shell de Teatro em 2025, na categoria "Energia que vem da gente", que reconhece projetos com impactos sociais.

A coordenadora ressalta que a palhaçada no hospital deixa marcas de força, de superação, e um olhar renovado sobre aquela realidade. E é assim que os atores do projeto veem cada ação: como uma oportunidade de ressignificar a dor.

O Acalanto foi idealizado pelo ator Léo Gavioli, que interpreta o palhaço Mortadela. Ele conseguiu inscrever a proposta na lei de incentivo cultural, a Lei Rouanet, que conta com o patrocínio da GE Aerospace, parceria da APPO, UNIFASE e Hospital de Ensino Alcides Carneiro e apoio do SEHAC e da Prefeitura de Petrópolis.