Segundo a Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans), a empresa Turp Transportes não está em condições de operar com qualidade no município. A declaração foi apresentada em audiência pública na 4ª Vara Cível de Petrópolis, realizada na última segunda-feira (27).
Na sessão, o presidente da CPTrans, Luciano Moreira, informou que a empresa deixou de realizar mais de quatro mil viagens. Do total, cerca de 9% foram canceladas por falhas mecânicas e 27% por falta de veículos. O caso mais crítico é em relação à linha 700, considerada estratégica por ligar o primeiro distrito ao Terminal de Itaipava. Luciano apontou que a linha deixou de cumprir 79,78% das viagens programadas. "A CPTrans entende que índices abaixo de 80% de atendimento, especialmente em linhas essenciais, não permitem uma avaliação razoável da operação da empresa", disse Luciano Moreira.
Juiz mantém a decisão
Frente ao cenário exposto, o Juiz Jorge Luiz Martins, demonstrou preocupação com o sistema atual. Destacando que os acidentes registrados comprometem o serviço, prejudicando principalmente os usuários. Com isso manteve a decisão que cobra o relatório quinzenal sobre a operação.
Na mesma audiência, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), pontuou que a administração municipal poderá sofrer sanções, com acompanhamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em parceria com MPRJ devido ao plano de mobilidade urbano, que acaba comprometido pelas inconsistências no transporte.
Turp defende
A Turp disse que segue empenhada em cumprir as metas, mas apontou dificuldades financeiras, atribuindo parte do problema ao atraso no repasse do vale-educação pelo município, o que segundo eles impacta o fluxo de caixa. Também mencionou a greve recente como reflexo das dificuldades financeiras e defendeu que o debate sobre tarifa.
Nesse contexto, a Companhia rebateu, afirmando que a dívida do vale-educação não representa 20% do sistema e não tem mais de 15 dias de atraso, não sendo suficiente, para justificar o colapso operacional.
"O município realizou repasses recentes, incluindo mais de R$ 1 milhão na semana anterior e cerca de R$ 500 mil nos dias seguintes. E diante de todos os acontecimentos, estão sendo avaliadas medidas mais duras, como intervenção administrativa, caducidade dos contratos e até a contratação emergencial de novas empresas, embora a situação financeira do município não permita essas ações", informou o presidente da CPTrans.