Por: Richard Stoltzenburg - PETR

Petropolitano é selecionado pela ONU entre mais de 8 mil projetos

Fundador do Trilhar Labs, Tales desenvolve um projeto que leva educação empreendedora | Foto: Divulgação

Por Gabriel Rattes

O petropolitano Tales Gomes, de 38 anos, foi selecionado entre 8.250 projetos de todo o mundo e está entre os 50 jovens líderes globais escolhidos pelo programa UNESCO Youth for Peace: UNESCO Leadership Programme. A iniciativa reconhece lideranças que promovem diálogo intercultural e ações concretas de construção de paz em suas comunidades.

Fundador do Trilhar Labs, Tales desenvolve um projeto que leva educação empreendedora, tecnologia e cultura de paz a escolas públicas e privadas. A iniciativa já impacta mais de mil estudantes no estado do Rio de Janeiro.

Projeto nasceu local, com visão global

Nascido em Petrópolis, Tales afirma que o diferencial do Trilhar Labs está na metodologia aplicada. "Acredito que o que chamou a atenção da UNESCO não foi só o fato de o Trilhar Labs reunir jovens de realidades diferentes, mas a forma como usamos essa diversidade para ensinar construção de paz enquanto criamos uma jornada em que o aluno começa entendendo sua própria identidade, aprende a reconhecer o outro e termina construindo soluções reais em grupo", explicou.

A chamada internacional buscava líderes entre 25 e 45 anos que já desenvolvem projetos ativos em suas comunidades. Dos 8.250 inscritos, apenas 50 foram selecionados, representando 48 países.

Neste ano, o tema central foi: "Learning to Collaborate for a Shared Future: Using dialogue to foster social cohesion in a world on the move."

Em português: aprender a colaborar para um futuro compartilhado, usando o diálogo para fortalecer a coesão social em um mundo marcado por migração, mudanças climáticas e tensões culturais.

Petrópolis no mapa da educação

Para Tales, o reconhecimento internacional também tem impacto simbólico para a cidade. "Quando o trabalho consistente é capaz de dialogar com uma agenda internacional se depara com uma oportunidade. O Trilhar nasceu local mas foi pensado com padrão global e isso faz diferença. Queremos levar para nossos alunos de escolas públicas e privadas uma experiência de alto nível", disse.

A participação no programa amplia o intercâmbio internacional do projeto e fortalece a conexão com experiências educacionais de outros países. "Primeiro, coloca Petrópolis no mapa da inovação educacional porque mostra que soluções não precisam nascer só nas grandes capitais ou fora do Brasil. Segundo (e talvez mais importante), mostra para os jovens que o mundo não é um lugar distante e reservado para outros. É acessível. É possível. Quando uma ideia nossa conversa com a UNESCO, o horizonte se amplia", afirmou.

Mais de mil alunos impactados

O Trilhar Labs já está presente em quatro escolas e impacta mais de mil estudantes. Na rede pública, cerca de 400 alunos participam das atividades em unidades como a FAETEC Marechal Hermes, a FAETEC Quintino e em parceria com o CEFET/RJ.

Entre as atividades oferecidas estão:

- Maker Labs (laboratórios de criação);

- Projetos com inteligência artificial e prototipagem;

- Metodologias de design thinking;

- Story Circles interculturais (metodologia da UNESCO);

- Mentorias com profissionais de tecnologia e educação;

- Interação com jovens de outros países.

A proposta é unir tecnologia, empreendedorismo e diálogo intercultural dentro da escola.

Educação empreendedora

Para o fundador do projeto, investir em educação empreendedora na escola pública é também uma forma de prevenção da violência. "Conflito nasce de exclusão, de falta de oportunidade que vai gotejando injustiça e desconforto que uma hora vira revolta. Quando um jovem entende que tem caminho, e que pode criar, propor, liderar e inovar, ele/a sai do lugar de invisibilidade", destacou.

Tales reforça que o objetivo não é apenas formar empresários. "Nossa abordagem não é 'vire CEO'. É aprender a resolver problemas com autonomia e cooperação. Autonomia com repertório e pertencimento ajudam a construir oportunidades de gerar renda e isso ajuda na prevenção de violência".

Diversidade

As unidades participantes foram escolhidas com base em conexão com o território, equilíbrio regional e diversidade de contexto. A ideia é conectar realidades diferentes — capital, periferia urbana e Região Serrana. "A paz se constrói no encontro de mundos, não na bolha", afirmou.

Mensagem aos estudantes

Antes do início das atividades, marcado para o dia 23 de fevereiro, Tales deixou um recado aos alunos da rede pública que irão participar: "Você não está aqui por sorte. Está aqui porque tem potencial. Use essa oportunidade para descobrir do que você é capaz. O mundo é maior do que parece e você cabe nele".