A decisão da Corregedoria da Guarda Municipal de Campinas ao afastar o guarda Daniel Barbosa Marinho, acusado de assassinar a tiros a mulher Nájylla Duenas Nascimento, de 34 anos, durante a própria festa de casamento no bairro DIC 4, merece reconhecimento pela rapidez e pela postura institucional adotada diante de um crime que estarreceu a cidade.
O agente - que integrava os quadros da corporação desde 1998 - foi afastado preventivamente por 90 dias, após o Poder Judiciário converter a prisão em flagrante para preventiva, após a audiência de custódia realizada logo após o ocorrido no último dia 9 de maio.
Embora o afastamento administrativo e a abertura de um procedimento disciplinar, que pode resultar em demissão, sejam obrigações legais e éticas de qualquer força de segurança pública é necessário pontuar que no cenário brasileiro atual nem todas as instituições cumprem com tal dever com o rigor esperado.
Frequentemente, observa-se uma tendência ao corporativismo ou à lentidão excessiva em processos internos sob a justificativa de aguardar o trânsito em julgado na esfera criminal, o que acaba por manter nos postos de trabalho indivíduos que feriram mortalmente os princípios éticos que tais casas ousam professar.
Ao agir prontamente, a Guarda Municipal de Campinas demonstra que não pretende compactuar com a violência e que está disposta a cortar na própria carne, a fim de preservar a integridade institucional.
A postura da GCM ao acompanhar o caso e reafirmar publicamente que rejeita qualquer forma de agressividade é um passo fundamental no combate ao feminicídio, que segue sendo uma chaga social.
Nájylla deixou três filhos de um relacionamento anterior, e a morte dela soma-se a estatísticas trágicas que exigem respostas institucionais firmes e imediatas. O afastamento do servidor detido na 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) sinaliza que o porte de arma e a autoridade concedida pelo Estado não podem servir de escudo para criminosos.
Parabenizar uma instituição por cumprir sua obrigação pode parecer complacente, mas na prática administrativa brasileira, a transparência e a agilidade na punição interna de desvios graves são raras e devem ser destacadas como exemplo de gestão pública eficiente.
Que o processo administrativo siga seu curso com o mesmo rigor demonstrado inicialmente garantindo que a justiça seja feita tanto nos tribunais quanto nos registros da administração municipal de Campinas, garantindo assim que a segurança pública seja exercida apenas por aqueles que respeitam a vida e a dignidade humana.