A crise na rede pública de saúde de Campinas deixou de ser um alerta pontual para se consolidar como um problema estrutural. Os sinais estão em diferentes frentes: hospitais operando acima da capacidade, unidades básicas sobrecarregadas, falta de medicamentos e interrupções de serviços essenciais. O resultado é um sistema que funciona no limite e, em alguns casos, além dele.
A situação recente do Hospital PUC-Campinas, com superlotação de 360% e restrição no recebimento de novos pacientes, é apenas a face mais visível de um cenário mais amplo. O Hospital de Clínicas da Unicamp acumula déficit milionário após meses sem repasses estaduais, enquanto a Rede Mário Gatti opera próxima da capacidade máxima e chegou a ter leitos indisponíveis por questões sanitárias. Na atenção básica, faltam profissionais, insumos e condições adequadas de funcionamento.
Não se trata de um colapso repentino, mas de um processo que vem sendo construído ao longo do tempo. A combinação de aumento da demanda, subfinanciamento e falhas de gestão expõe fragilidades que já eram conhecidas, mas que não foram enfrentadas com a urgência necessária.
Tanto o governo estadual quanto a administração municipal têm anunciado medidas e investimentos, muitos deles voltados à ampliação da capacidade e à reorganização da rede. No entanto, são ações cujos efeitos tendem a aparecer no médio e longo prazo. O que se vê hoje é que essas iniciativas, embora importantes, não foram suficientes para prevenir o agravamento da situação atual.
A consequência recai diretamente sobre a população, que enfrenta filas, demora no atendimento e dificuldade de acesso a serviços básicos. Também atinge os profissionais de saúde, submetidos a condições de trabalho cada vez mais pressionadas.
Diante desse quadro, é necessário ir além de respostas emergenciais. A crise expõe a necessidade de planejamento integrado entre município e estado, com financiamento adequado, gestão eficiente e medidas que antecipem cenários de pressão sobre o sistema.
Sem isso, episódios como os registrados nas últimas semanas tendem a se repetir, deixando claro que o problema não é apenas de demanda, mas de estrutura.