O conceito de interdependência define o funcionamento das engrenagens sociais e econômicas de Campinas, assim como no Brasil, onde a falha de um componente paralisa a fluidez do sistema. No cenário atual do varejo, essa desconexão atinge um ponto crítico e manifesta-se com força no comércio campineiro. Quando o Estado falha em equilibrar a carga tributária, o impacto não se limita aos balanços contábeis das empresas locais, mas reverbera diretamente na qualidade de vida de quem está no chão de loja. O equilíbrio necessário para uma economia saudável exige que o setor público atue como facilitador e não como um entrave que força comerciantes e trabalhadores a dividirem um ônus que não lhes pertence.
Dados do Sindivarejista (sindicato patronal que representa as empresas do comércio varejista em Campinas e mais de 12 cidades da região) revelam que mudanças drásticas em jornadas de trabalho sem uma contrapartida na desoneração da folha de pagamento podem gerar impactos bilionários, quebrando as empresas e, por consequência, aumentando o desemprego.
A projeção para o comércio local indica que a manutenção de escalas sem o suporte de uma política fiscal inteligente cria um efeito cascata de perdas. Isso porque, o empresário, sufocado por impostos que incidem pesadamente sobre cada nova contratação, vê-se incapaz de expandir seu quadro de funcionários para suprir demandas de escala. Essa paralisia na contratação gera o cenário de sobrecarga que hoje exaure o trabalhador, que conta com apenas um dia de descanso.
Sem margem financeira para trazer novos braços para a operação, o varejista acaba exigindo mais produtividade de uma equipe reduzida, e o resultado é o desgaste físico e mental de quem opera sob a pressão de jornadas intensas, como o modelo 6x1, que se torna uma armadilha de produtividade decrescente. O trabalhador sofre com o cansaço, e o comerciante com a queda na qualidade do atendimento, além da rotatividade de pessoal, que gera custos adicionais de treinamento e rescisões.
O elo rompido nesta corrente é o Estado. A arrecadação sobre a folha de pagamento no Brasil é uma das mais punitivas do mundo, transformando o ato de gerar emprego em um risco financeiro elevado. Se houvesse uma tributação justa e simplificada, o empresário teria fôlego para contratar mais, o que naturalmente distribuiria melhor a carga de trabalho e reduziria a pressão sobre os empregados atuais. A economia de Campinas, que movimenta bilhões anualmente, demonstra que a vontade de crescer existe, mas está represada por uma burocracia fiscal que ignora a realidade do cotidiano.