O Hospital Metropolitano de Campinas é uma necessidade pública que transcende debates burocráticos e entra no campo da sobrevivência para quem depende do SUS. A Prefeitura de Campinas já cumpriu a parte dela no processo, ao doar um terreno municipal para construção. Não só o doou, como correu com todo o processo burocrático, enviando a documentação à Câmara, que prontamente também resolveu o que lhe cabia.
Entretanto, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) demonstra, por meio dos fatos, que o ritmo da gestão estadual ignora a saturação das unidades de saúde atuais e do que os pacientes passam diariamente no Hospital de Clínicas da Unicamp - que faz das tripas, coração.
A Secretaria de Saúde paulista confirmou que o edital para o início das obras será apenas no segundo semestre deste ano, empurrando com a barriga a solução prática de gargalos históricos. Quisera os pacientes que o Palácio dos Bandeirantes tivesse com Metropolitano a mesma tenacidade que o tem em relação ao Trem-Bala, inclusive subsidiando as tarifas para que os chineses fechassem o negócio do futuro elefante branco.
A ausência de senso de urgência por parte do governo estadual contrasta com a realidade das filas e da demanda reprimida em 42 municípios que compõem a região, e que precisam pedir ajuda a Campinas.
O projeto prevê foco em atendimentos de alta complexidade em áreas críticas, como oncologia e neurologia, que cronicamente operam no limite da capacidade técnica e física.
Já o prolongamento de prazos administrativos revela falta de prioridade política com a saúde pública regional, já que cada mês a mais na licitação significa meses de espera adicional para quem detende de atendimento para sobreviver.
A projeção da secretaria executiva indica que o hospital entrará em pleno funcionamento em até dois anos após o começo das construções, mas esse cronograma depende exclusivamente da agilidade no processo licitatório que não é prioridade.
É necessário que o Estado revise o cronograma e antecipe as etapas contratuais para que a doação da área municipal não se torne um gesto inútil diante da inércia estadual.
A construção do Hospital Metropolitano de Campinas deve ser tratada como emergência regional e não como projeto de longo prazo sujeito a conveniências de um calendário administrativo.
Agravante é o fato de Tarcísio ter sido militar. Mas, pelo visto, faltou na aula da Matriz de Eisenhower. Dizem que um militar, mesmo na reserva, nunca deixa de sê-lo. Mas, neste caso, o governador certamente é a exceção.