Homenagens devem ser feitas enquanto artistas estão vivos? Essa é uma pergunta que provavelmente a resposta dependerá de cada pessoa. Porém, a cada desfile que as escolas de samba proporcionam com famosos ainda vivos mostra o quanto o público os idolatra.
A Imperatriz Leopoldinense apostou em Ney Matogrosso para este ano. O cantor ficou emocionado com o que viu desde o início da preparação do desfile até o fim, quando saiu no último carro. Foi ovacionado pelo público da Sapucaí.
Imagina se Rita Lee fosse viva, o quanto ela ficaria emocionada na homenagem feita pela Mocidade? Maria Bethânia e Alcione já foram temas da Mangueira. E Silvio Santos, que foi enredo da Tradição em 2001...Nomes da cultura brasileira que merecem ser lembrados pelos trabalhos feitos em prol da arte.
Na Série Ouro, o grupo de acesso no Rio, a cantora Leci Brandão foi tema da Unidos de Bangu, Xande de Pilares da Unidos do Jacarezinho e a escritora Conceição Evaristo da Império Serrano.
Indo para São Paulo, a campeã Mocidade Alegre fez um enredo sobre a atriz Léa Garcia, que morreu em 2023. Será que ela ficaria feliz em ver sua história no Anhembi? E o compositor Paulo Cezar Pinheiro, que foi o enredo da Estrela do Terceiro Milênio. Provavelmente ficou bastante honrado com o desfile.
Claro que existem os enredos históricos, para lembrar figuras populares e que mexem com o nosso imaginário, como revisitar as novelas de Dias Gomes, a vida e os livros de Chico Xavier, João Cândido, o Almirante Negro, e muitos outros
A criatividade das escolas de samba não partem para a escolha de um enredo e pronto, nasce um desfile. Toda a história do homenageado ou da homenageada deve ser contada do início ao fim, passando pelos seus grandes feitos, marcas históricas e recordes...
Encantar uma pessoa com alegorias e adereços, ver a sua emoção ao olhar um trabalho de meses sendo apresentado com brilhantismo e perfeição na avenida, com gritos e aplausos do público, é algo que fica e marca na memória.
Aos que têm esse privilégio de sentirem isso em vida, serão anos e anos de lembranças. E aos que não puderam ter essa homenagem viva, a lembrança de como era nos toca o coração.
E assim é o desfiles das escolas de samba, com brilho e garra para dar o melhor, recriando e revisitando a vida e a obra do seu homenageado, seja ele vivo ou nos livros de história ou no encantado mundo das prosas e poesias do povo brasileiro.