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SP segue Campinas quanto aos animais

O estado de São Paulo tomou um passo significativo ao sancionar a lei que autoriza o sepultamento de cães e gatos em jazigos familiares, mas é fundamental reconhecer que essa medida apenas replica o que a vanguardista Campinas já consolidou. A capital segue o exemplo campineiro, que se mantém como uma referência inquestionável em legislações voltadas ao bem-estar animal, desde a sanção do estatuto dos animais há dez anos. 

Entretanto, Campinas agora corre o risco de retroceder nesse aspecto, com a proposta de realização de rodeios na cidade. Enquanto se espera a implementação do trem-bala, que já está anos atrasado, o vereador Arnaldo Salvetti (MDB-SP) propõe entretenimento às custas do sofrimento de bois e cavalo, e, pasme, a volta das charretes. Charretes, em pleno século XXI. 

Se o próprio governo de São Paulo, por meio dessa nova lei estadual, reconhece o vínculo afetivo e profundo entre tutores e animais, permitindo que proprietários de jazigos em cemitérios públicos utilizem esses espaços sagrados para o enterro de seus companheiros fiéis, qual seria o grau de retrocesso de Campinas ao retomar o transporte a tração animal? 

Campinas, com seu histórico vanguardista, já possui uma legislação estabelecida, modelo para o Brasil, reafirmando sua posição líder na proteção dos seres sencientes. Ostenta conquistas memoráveis, definindo diretrizes rigorosas contra maus-tratos e a obrigatoriedade técnica da microchipagem em pets. Contudo, esse protagonismo histórico e admirável enfrenta um risco preocupante, encabeçado por Salvetti.

A tentativa de retomar essas práticas dolorosas, que causam estresse psicológico e sofrimento físico evidente aos animais, representa uma ameaça direta à identidade ética de Campinas. É contraditório que, enquanto o estado avança em direção a um tratamento mais digno e respeitoso no luto, a cidade cogite permitir espetáculos arcaicos baseados na exploração animal simplesmente por diversão e dinheiro. A proteção deve ser uma trajetória contínua e ascendente, garantindo que o legado pioneiro de Campinas não seja manchado por bizarrices inaceitáveis.

Mais do que decisões pontuais, o momento exige coerência entre discurso, legislação e práticas públicas. Manter uma linha contínua de respeito aos animais fortalece a imagem institucional da cidade e reforça valores já consolidados junto à sociedade. Preservar esse compromisso histórico significa honrar conquistas passadas e garantir que as futuras gerações encontrem em Campinas uma referência de equilíbrio, responsabilidade e evolução nas políticas de proteção animal.