Deu a lógica em Portugal. Não era para menos. Quem passasse entre Antonio José Seguro ou o candidato de centro-direita contra André Ventura, iria vencer as eleições para presidente. E a grande prova está, justamente, na composição do Parlamento. Os três praticamente estão com 30% de ocupação cada um, com uma pequena diferença percentual para um e para outro. E, ao que tudo indica, Seguro deve tentar uma coalizão entre a esquerda e a centro-direita para que Montenegro possa ter governabilidade.
O resultado de 66% para Seguro e 33% para Ventura só mostra como o Chega! ainda não conseguiu superar a barreira dos 40% dos eleitores e tentar brigar com a máquina lusitana. por mais que em alguns países da Europa, como a França, a ultradireita está forte e consolidada, a ponto até de brigar para comandar o país na próxima eleição, em Portugal ainda está longe disso acontecer.
O público do Chega! é o mais jovem, mais moderno e que quer mudanças. Os eleitores da esquerda são os mais antigos, os pragmáticos e que lutam pelo bem-estar social. E os da direita, os conservadores, que podem muito bem se dar bem com os socialistas, mas que não falam a língua do radicalismo.
Ver André Ventura ou outro integrante do Chega! assumir o cargo de primeiro-ministro será algo cuja ideologia não atinge desde os tempos de Salazar. Mas, até isso acontecer, se acontecer, deve demorar um pouco, pois a força da rejeição ainda é forte contra o partido.
Seguro terá pela frente não apenas um parlamento fragmentado e uma forma de encontrar uma coalização para dar governabilidade a Montenegro. Ele terá que fazer aquilo que seu antecessor, Marcelo Rebelo de Souza fez: diálogo.
Rebelo ficou dois mandatos e soube, com habilidade, construir alianças e dar apoio aos primeiros-ministros. E é com essa mesma capacidade que Seguro precisa ter, caso queira ficar dez anos na presidência portuguesa.
Esquerda e centro-direita já têm um denominador comum: empurrar a ultradireita para escanteio. Agora, cabe as duas ideologias alinharem um programa comum de governo para, juntos, terem paz nas relações e governabilidade em Portugal, independente quem venha a ser o presidente e o primeiro-ministro.
As urnas mostraram o óbvio. Basta, agora, os políticos usarem os números para terem o governo a seu favor, com alianças, mesmo conflituosas, para dar o respiro que Portugal, durante anos, teve e fez com que o país fosse um dos mais sólidos politicamente da Europa.