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Os riscos escondidos em meio à folia

O Carnaval ocupa um lugar simbólico de alegria, liberdade e celebração coletiva, mas essa atmosfera de euforia costuma esconder riscos que passam despercebidos em meio à festa. Entre eles, os acidentes envolvendo a rede elétrica figuram como uma ameaça silenciosa, capaz de transformar momentos de descontração em episódios trágicos. Os números recentes divulgados pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica revelam que, mesmo com uma leve redução de mortes no primeiro trimestre de 2025 em comparação ao ano anterior, a realidade ainda é alarmante. Vidas continuam sendo perdidas por descuidos previsíveis e, sobretudo, evitáveis.

O período carnavalesco reúne fatores que ampliam esses perigos. A aglomeração de pessoas, o uso de serpentinas metálicas, a instalação improvisada de barracas, arquibancadas e estruturas de apoio, além do crescimento dos trios elétricos e carros alegóricos, criam um cenário propício para choques elétricos, curtos-circuitos e incêndios.

A cultura da gambiarra, tão comum em eventos informais, transforma a rede elétrica em uma armadilha à altura dos olhos e das mãos de quem apenas deseja brincar. Cada fio desencapado ou ligação clandestina representa um risco coletivo, não individual.

Diante desse contexto, a defesa do presidente da Abradee por uma meta de acidente zero não soa como exagero, mas como obrigação ética. A energia elétrica é indispensável à vida moderna, porém exige convivência responsável e orientação técnica permanente.

As distribuidoras dispõem de equipes capacitadas para garantir conexões seguras, adequação da altura da rede e planejamento prévio junto a órgãos como o Corpo de Bombeiros. Ignorar esses canais institucionais é optar por um caminho de negligência que cobra um preço alto demais.

Por isso, investir em campanhas de alerta e conscientização não deve ser tratado como ação pontual ou protocolar, mas como política pública contínua. A Campanha Nacional de Segurança com a Rede Elétrica, prevista para junho, reforça a importância de levar informação clara e acessível à população, especialmente em períodos de festas populares e chuvas intensas.

Celebrar o Carnaval com responsabilidade é entender que a alegria só se sustenta quando a prevenção caminha junto. Não se trata de frear a folia, mas de garantir que ela termine como deve ser, sem luto, sem tragédias e com todos de volta para casa.