A sanha arrecadatória demonstrada pelo poder público nas últimas semanas consolida um retrocesso para a economia nacional ao ignorar o limite da capacidade contributiva de quem produz riqueza no Brasil. As decisões recentes não apenas ignoram o clamor por eficiência administrativa, mas também aprofundam uma deformidade histórica que sustenta o gigantismo estatal através do sufocamento sistemático de investimentos e da geração de postos de trabalho.
O Estado brasileiro insiste em fórmulas desgastadas ao transferir o ônus do desequilíbrio fiscal para a sociedade sob o pretexto de conter déficits orçamentários que ele próprio alimenta.
O ponto mais crítico dessa ofensiva tributária manifesta-se na Lei Complementar 128/2025, que introduz uma distorção técnica alarmante ao rotular o lucro presumido como benefício fiscal. Essa classificação carece de fundamento lógico e jurídico servindo apenas como artifício retórico para mascarar um aumento real de impostos.
Ao elevar o percentual de presunção para companhias com faturamento superior a R$ 5 milhões, o governo promove uma majoração direta da carga tributária que desestimula a expansão dos negócios e encarece toda a cadeia produtiva nacional.
Os dados revelam que a indústria brasileira suporta quase 50% do peso financeiro gerado por essa nova legislação. É uma escolha política temerária contra o setor que oferece as melhores remunerações médias e sustenta o desenvolvimento tecnológico do país.
Punir a indústria significa sabotar a competitividade das exportações e comprometer a inovação - um dos baluartes de Campinas.
A situação atinge níveis de irracionalidade econômica com a nova alíquota de 17,5% de juros sobre capital próprio. Conforme as projeções da CNI (Confederação Nacional da Indústria), esse movimento retirará R$ 1 bilhão do caixa das empresas reduzindo o fôlego para novos projetos.
O cenário torna-se ainda mais absurdo quando comparado ao tratamento benevolente concedido a outros setores menos estratégicos. A carga imposta ao capital produtivo industrial consegue superar a tributação aplicada ao mercado de apostas eletrônicas, que atingirá o teto de 15% apenas em 2028.
Essa disparidade evidencia um governo que prioriza a arrecadação imediata em detrimento a uma política econômica coerente. A persistência nesse modelo de extração de recursos do setor produtivo para sustentar a máquina pública é um erro que trava o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e condena o Brasil a um estado de estagnação permanente, apenas alçando voos de galinha.